Deputados ainda ganham milhas de passagens pagas pela Câmara

BRASÍLIA - O ato da Mesa Diretora da Câmara que restringiu o uso da cota aérea dos deputados, assinado nesta terça-feira, não impede que os parlamentares sejam beneficiados com as milhagens oferecidas pelas companhias aéreas. Caso faça as quatro viagens de ida e volta por mês usando as passagens custeadas com dinheiro público, as empresas aéreas podem propiciar uma ida e volta para a Europa por ano, totalmente grátis. Isso na primeira classe. Caso a classe econômica seja a escolhida, duas idas e voltas para o velho continente podem ser bilhetadas junto às companhias.

Severino Motta |

A hipótese acima diz respeito à mobilidade. Caso o parlamentar use uma única companhia, os bônus são ampliados, podendo, ao longo de um ano, existir uma majoração no ganho das milhagens.

De acordo com o terceiro-secretário da Câmara, Odair Cunha (PT-MG), a Casa não tem poder para alterar regras de milhagens. Ele disse que o benefício está ligado à pessoa física e é oferecido pela empresa.

Quando falamos sobre isso com as empresas, elas disseram que não têm como reverter as milhagens para a Câmara. Ou dá para o deputado ou acaba com ela. Isso é um programa de fidelização que nós não temos como interferir, explicou.

Ao longo da crise das passagens na Câmara, o diretor da ONG Contas Abertas, Gil Castelo Branco, disse que o oferecimento de milhagens é um incentivo ao servidor público para que use ao máximo sua cota de passagens. Ele lembrou que, ao fazê-lo, é possível ampliar os benefícios, convertendo traduzidos em viagens de graça.

O ato da Mesa Diretora da Câmara estipulou que somente os deputados e seus assessores ¿ estes com autorização prévia ¿ vão poder usar as passagens pagas com o dinheiro público, ao contrário do que acontecia até ontem, quando não havia restrições ao uso das passagens.

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