O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) protocolou hoje na Mesa Diretora da Câmara uma representação contra o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), pedindo que ele preste esclarecimentos à Corregedoria da Casa sobre o uso da verba indenizatória para pagar trabalhos de consultoria contratados do colega de partido e ex-deputado João Alfredo Telles Melo.

Ao longo de 2007 e 2008, Alencar gastou R$ 49. 750 com serviços prestados pela empresa Eco Social Consultoria, de propriedade de João Alfredo, a seu gabinete parlamentar.

Foram 19 meses de contrato, ao custo médio mensal de R$ 2,6 mil. No período, o ex-parlamentar do PSOL estava sem mandato. No ano passado, Alfredo foi eleito vereador e, desde que tomou posse na Câmara Municipal de Fortaleza, os serviços foram suspensos. "Estou agindo como amigo do Chico Alencar, dando-lhe a oportunidade de mostrar que não deve nada", justificou Bolsonaro, convencido de que "é esquisito pegar voto no Rio de Janeiro" ao contratar serviços de uma empresa do Ceará. "Ele explicando, acaba a dúvida."

Porém, Bolsonaro aproveitou a oportunidade para dar o troco ao conterrâneo, que também já protocolou uma representação contra ele, ainda nos tempos em que era filiado ao PT. "Lá atrás, ele pediu minha cassação só porque eu meti o pau no PT", conta Bolsonaro, que alega não se recordar dos termos exatos das críticas que fez ao ex-partido do deputado, na época do escândalo do mensalão.

Alencar defendeu-se afirmando que não há qualquer ilegalidade na contratação e que a empresa de Alfredo é uma referência no setor ambiental, agrário e de direito público. "A empresa não é propriedade do político João Alfredo. A consultoria foi extremamente útil e prestada rigorosamente dentro dos limites que a verba indenizatória comporta", disse Alencar. "Não é por ser do PSOL que vai ser vetado nessa área", afirmou o deputado, que divulga a sua prestação de contas com verba indenizatória desde 2008.

As normas de uso da verba indenizatória não fazem restrição à contratação de serviços ou realização de compras em empresas ou estabelecimentos de propriedades de deputados, de parentes ou outras pessoas ligadas aos parlamentares. As prestações de contas são sigilosas e vão se tornar públicas a partir de abril.

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