Deputado nega ligação com ataque a DP no RJ

O deputado estadual Natalino Guimarães (DEM) ocupou hoje a tribuna da Assembléia Legislativa do Rio para atacar o delegado Marcus Neves, titular da delegacia de Campo Grande (35º DP), que o acusou de ser o mandante do ataque ao distrito policial na madrugada de ontem. Natalino afirmou que não teve relação com o ataque e que vai processar Neves.

Agência Estado |

Com uma cópia do boletim de ocorrência, o parlamentar afirmou que não há no documento afirmações contra ele dos dois homens presos como participantes do atentado. Ao contrário, os dois declaram que só falariam em juízo. Segundo Neves, eles teriam mencionado Natalino em conversa informal com policiais. Procurado, o delegado não foi encontrado hoje.

O deputado chamou o delegado de "moleque"e "canalha" e afirmou que "ele não honra as calças que veste". Natalino chegou a especular que o próprio delegado possa ter "plantado" a bomba na delegacia para incriminá-lo. "O delegado está fabricando bandido, pegando mendigo na rua e dizendo que é miliciano", afirmou em entrevista. "A apuração dele foi muito rápida e o culpado sou eu?".

Na tribuna, Natalino disse que não é chefe de milícia e pediu uma audiência com o governador Sérgio Cabral (PMDB). "Eu o apoiei e trabalhei pela sua eleição. Sou seu aliado, governador", apelou. Cabral, num recado indireto, defendeu apuração rigorosa sobre a motivação do atentado. "Não queremos saber a origem social de qualquer marginal. Marginal tem que ser tratado como marginal, não queremos saber se tem mandato ou não", afirmou, numa visita ao Pão de Açúcar. No entanto, não quis opinar se a Alerj deveria abrir processo contra Natalino.

"Temos trabalhado diuturnamente no combate ao poder paralelo, seja o traficante ou miliciano. Vamos continuar, sem trégua", disse Cabral, admitindo a ocupação territorial de áreas do Rio por traficantes e paramilitares. Apesar de estar sob investigação por envolvimento com milícias desde o ano passado e de ter tido o irmão, o vereador Jerominho (PMDB), preso pelo mesmo motivo, Natalino não enfrenta qualquer processo nas instâncias da Alerj.

O corregedor, deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB), afirmou que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias, que será instalada amanhã na Casa, é a melhor instância para investigar Natalino. "A CPI tem todos os instrumentos e agirá em relação a todos os casos como este. Ela tem amplos poderes, inclusive, para convocar pessoas que não sejam funcionárias públicas. A corregedoria só faz sindicância. Se a CPI encontrar indícios de participação pode representar contra o deputado no Conselho de Ética", disse Luiz Paulo. "É um absurdo o que tem acontecido, essa Casa tem que se posicionar".

Colaborou Talita Figueiredo

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