Deputado não se arrepende e nega saída da relatoria do Conselho de Ética

SÃO PAULO - O deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), que disse estar ¿se lixando¿ para a opinião pública, disse nesta terça-feira que não se arrepende das polêmicas declarações que tem dado à imprensa.

Carol Pires |

A maior estrutura de um ser humano é a firmeza no que faz e no que diz. Continuo dizendo a verdade e não volto atrás, afirmou, quando questionado se não estaria constrangido com a repercussão de sua afirmação.

Moraes também voltou a negar a hipótese de deixar a relatoria do caso contra o deputado Edmar Moreira (MG) no Conselho de Ética da Câmara. O colegiado deveria se reunir hoje para resolver o assunto, mas adiou o encontro para esta quarta-feira .

Não saio da relatoria, não serei retirado e nem pedirei para sair, disse hoje, após o anúncio do adiamento da reunião. Moraes circula pela Câmara dos Deputados com um gravador digital gravando todos os diálogos que mantém com a imprensa. Vocês distorcem as informações, alegou.

Moraes pretende acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) caso seja afastado da relatoria do Conselho de Ética. O presidente da comissão, deputado José Carlos Araujo (PR-BA) confirmou à imprensa que está disposto a destituí-lo da função. Até o momento, nenhum outro deputado aceitou assumir o cargo.

Eu quero um trabalho que ninguém quer. Eu também não queria, mas como fui nomeado, não vou aceitar ser afastado, disse o deputado, que também defende que a reunião de amanhã seja aberta ao público, e não reservada como defendem alguns parlamentares. Fui nomeado em sessão aberta, quero que essa questão seja resolvida em sessão aberta também.

Na tarde de segunda-feira, a deputada Solange Amaral (DEM-RJ) protocolou na secretaria do Conselho de Ética um requerimento pedindo o afastamento imediato de Sérgio Moraes da comissão. De acordo com Moraes, a deputada não tem moral para falar dele, pois está na lista dos parlamentares que viajaram ao exterior com passagens pagas pela Câmara.

Dono do Castelo

Sérgio Moraes é relator no Conselho de Ética do processo contra Edmar Moreira, conhecido nacionalmente por ser dono de um castelo avaliado em R$ 25 milhões no Sul de Minas Gerais.  

Moreira responde por quebra de decoro parlamentar por ter usado notas fiscais de sua própria empresa para pedir ressarcimento à Câmara dos Deputados. A corregedoria encontrou indícios de que o deputado tenha usado as notas fiscais para comprovar um serviço que não foi usado.  

Na semana passada, Sérgio Moraes disse que não tinha indícios para pedir a condenação de Edmar Moreira e que seu parecer tendia pela absolvição do colega.

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