Deputado irá pedir cancelamento de prorrogação de concessão do metrô no Rio

O deputado estadual Alessandro Molon (PT-RJ) disse nesta quinta-feira que irá entrar com uma ação na Justiça para cancelar o termo aditivo que prorrogou por 20 anos a concessão do serviço metroviário na cidade do Rio de Janeiro para a empresa Metrô Rio. Acompanhado por representantes do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Rio (CREA-RJ) e do Sindicato dos Metroviários, Molon realizou uma vistoria no final da tarde desta quinta-feira em algumas estações do metrô para checar as condições de viagem dos passageiros no meio de transporte um mês após início da conexão direta Pavuna-Botafogo.

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

Vou encaminhar à Justiça amanhã ou, no máximo, na próxima segunda-feira uma ação popular pedindo o cancelamento da prorrogação da concessão que foi dada de presente ao Metrô Rio em troca dessa gambiarra malfadada que tirou a qualidade desse serviço, disse, referindo-se às obras que acabaram com a transferência entre as Linhas 1 e 2 na estação Estácio

Inicialmente, a concessão do Metrô Rio ia até 2018. Por causa das obras realizadas, o prazo foi estendido até 2038, ou seja, por mais 20 anos. Uma cláusula do contrato de concessão diz que o serviço deve ser prestado com qualidade, eficiência, conforto, segurança e regularidade. No entanto, não estamos vendo isso, avaliou Molon.

CPI

Durante a visita ao metrô nesta quinta-feira, o deputado estadual também afirmou que irá protocolar no próximo dia 1º de fevereiro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) um requerimento pedindo a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Transportes Metroferroviários. Segundo ele, uma relatoria irá investigar os problemas do metrô, enquanto outra avaliará a situação dos trens.

Para Molon, a Agência Reguladora de Transportes Públicos do Estado do Rio de Janeiro (Agetransp) tem tido uma atuação não satisfatória perante os problemas ocorridos recentemente no metrô e nos trens. Na manhã da última segunda-feira, um trem andou sozinho por mais de cinco quilômetros no ramal Japeri após sair da estação Ricardo de Albuquerque.

A atuação da Agetransp tem sido muito abaixo do necessário. Tem sido uma atuação muito frouxa, permitindo que as concessionárias tratem a população como bem entende. Ouvir da concessionária que o problema do metrô será resolvido em 2011, quando irão chegar os novos trens, é debochar da população que viaja nessas condições, criticou o deputado, completando que uma vistoria como a realizada nesta quinta-feira também será feita nos ramais da SuperVia.

Críticas

A vistoria realizada nas estações Carioca, Central e Saens Peña foi marcada por muitas críticas feitas por passageiros do metrô. O intervalo entre os trens aumentou muito. É comum vermos pessoas passando mal nos vagões. Isso quando não desmaiam, reclamou o engenheiro Marcelo Lacerda, que utiliza o metrô diariamente.

Para a bancária Valéria Zettel, o Metrô Rio ultimamente não tem oferecido condições de viagem aos seus usuários. Dia desses fiquei cerca de uma hora na plataforma esperando um trem que oferecesse condições para eu entrar. Como não veio, pedi meu dinheiro de volta. Disseram que não iam me dar porque eu tinha passado pela roleta. Reclamei tanto que me devolveram, mas me disseram para eu pegar o ônibus e ser feliz, relembrou.

De acordo com o presidente do CREA-RJ, Agostinho Guerreiro, um relatório técnico detalhado sobre a situação atual do metrô está sendo feito por engenheiros do conselho para ser anexado aos processos de Alessandro Molon. O documento deve ficar pronto em aproximadamente dois meses. As pessoas ficam tão coladas nos vagões que elas só se equilibram porque um corpo fica grudado ao outro. É uma verdadeira lata de sardinha, argumentou.

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