RIO DE JANEIRO - O deputado estadual Jorge Babu (PT), acusado de envolvimento com milícias na zona Oeste do Rio, protocolou nesta segunda-feira uma solicitação autorizando a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das milícias, da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), a quebrar seu próprio sigilo telefônico e bancário. A informação foi divulgada pelo presidente da CPI, deputado Marcelo Freixo (PSOL).

Segundo ele, o deputado Jorge Babu já estava sendo investigado mesmo antes da denúncia feita pelo Ministério Público Estadual à Justiça, na semana passada. Ainda na tarde desta segunda-feira, a executiva estadual do PT decide se afasta ou não o deputado do partido.

Afastamento

Na opinião do deputado federal petista Antônio Carlos Biscaia, que é coordenador do Núcleo de Segurança Pública do PT Nacional, a decisão de afastar Babu é tardia e o diretório regional do partido é responsável pelo desgaste sofrido pela legenda devido às denúncias contra o parlamentar.

A decisão de manter um bandido desses no partido só poderia dar nisso, disse o deputado, que já ocupou a Secretaria Nacional de Segurança Pública, órgão ligado ao Ministério da Justiça.

Biscaia lembrou que na ocasião em que Jorge Babu foi preso em uma rinha de galo no Recreio dos Bandeirantes, o partido havia decidido pela sua expulsão. Babu teria então entrado com um recurso, que nunca chegou a ser julgado pela executiva do partido, e conseguiu se candidatar a deputado pela legenda.

Na época, só três pessoas do partido se levantaram contra a candidatura dele à Assembléia Legislativa: Inês Pandeló, Alessandro Molon e eu. Portanto, o diretório regional do PT tem responsabilidade pelo que está acontecendo dentro do partido, destacou Biscaia.

Milícia

Jorge Babu era policial civil no bairro de Santa Cruz, onde nasceu e foi criado. Ele se elegeu duas vezes vereador pelo PT. Na primeira eleição, em 2000, obteve 13.572 votos. Em 2004, sua votação para a reeleição como vereador pulou para 23.788. Em 2006, Babu conseguiu se eleger deputado estadual com 32.486, todos na zona Oeste do Rio, região controlada pela ação miliciana.

O Ministério Público do Rio de Janeiro acusa Babu, o tenente-coronel da PM Carlos Jorge Cunha e mais nove pessoas de integrar a milícia que age nos conjuntos habitacionais da Rua Murilo Alvarenga (em Inhoaíba), Cesarinho (em Paciência) e na Comunidade da Foice.

Entre os acusados estariam um fuzileiro naval, um bombeiro, dois policiais militares e cinco moradores da zona Oeste. Todos tiveram prisão preventiva pedida pelo Ministério Público, com exceção de Babu que tem foro privilegiado por ser deputado e só pode ser preso em flagrante.

Segundo o MP, o grupo utiliza-se de violência e grave ameaça, exercida com o emprego de armas de fogo, inclusive fuzis, e cobra dos moradores e comerciantes contribuições semanais, em dinheiro, que variam de R$ 10 a R$ 300, sob o pretexto de oferecer segurança. A quadrilha impõe ainda, nas comunidades sob seu domínio, a exclusividade na aquisição de botijão de gás, que somente pode ser comprado em empresas por ela autorizadas. Além disso, o bando também controla a distribuição de sinal de TV a cabo (gatonet).

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