São Paulo ¿ Agentes penitenciários de São Paulo se reúnem em assembléia nesta terça-feira, às 16h, para decidir se mantém a paralisação iniciada ontem. A categoria reclama da falta de segurança e exige que o governo do Estado tome medidas urgentes para proteger os funcionários. No domingo, um funcionário do Centro de Detenção Provisória (CDP) da Vila Independência, na zona leste da cidade, foi baleado ao deixar o trabalho.

Por questão de segurança, a Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo (SAP) não revela a identidade do funcionário baleado nem o hospital para onde ele foi levado. Como o agente foi baleado fora da penitenciária, ainda não podemos relacionar o ocorrido com algum tipo de ameaça dos detentos, declara Tadeu Pereira, responsável pelo atendimento à imprensa.

Outro agente da mesma unidade penitenciária, diz que o colega, ao deixar seu plantão, por volta das 19h, foi atingido por quatro tiros disparados por dois homens numa moto, na Av. Francisco Mesquita, na zona leste de São Paulo. Segundo o funcionário, que por temer represálias não quis se identificar, uma mulher que passava pelo local também foi atingida. Ela passa bem, mas o estado do agente é grave.

De acordo com o funcionário, os agente penitenciários estão muito assustados com o ataque e suspenderam as visitas e os banhos de sol dos detentos na unidade essa semana. Os presos vão receber apenas alimentação e suporte médico, afirma.

Os agentes do CDP da Vila independência entrarão em assembléia com o Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (SIFUSPESP) às 16h, no próprio CDP, para decidir se mantém a paralisação iniciada ontem, em protesto ao atentado sofrido pelo colega de trabalho. Eles reivindicam mais segurança para a categoria.

Situação crítica nos CDPs de São Paulo

O CDP da Vila Independência tem capacidade para 768 presos, mas abriga cerca de 2100 detentos. Para cuidar desse número de presidiários, contamos com 115 funcionários, quando na verdade precisaríamos de 250, afirma o agente do CDP, que prefere ter seu nome preservado.

Ainda segundo a fonte, o ataque ao agente ocorrido no domingo teria sido uma represália dos detentos às rigorosas revistas das visitas nos últimos meses. Os detentos pagam mulheres para entram na penitenciária com cocaína e maconha escondida no corpo. Como estamos prendendo essas mulheres, eles (os presos) estão sem drogas e promovem esse tipo de atentado para inibir nossa ação, relata.

Estamos trabalhando acuados e com medo. A situação está insustentável e do jeito que está não dá para trabalhar. Por isso vamos partir para o tudo ou nada com esta paralisação, conclui.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.