Depoimentos do pai e da irmã de Alexandre Nardoni são adiados novamente

SÃO PAULO ¿ A Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo informou, na tarde desta sexta-feira, que os depoimentos do pai de Alexandre Nardoni, Antônio Nardoni, e da irmã, Cristiane, foram adiados para esta quarta-feira. Os depoimentos estavam previstos para acontecer ainda nesta tarde e não foi dada explicação para o adiamento.

Redação |


Esta é a segunda vez que os depoimentos do pai e da irmã de Alexandre são cancelados. No sábado, os advogados alegaram que os dois estavam cansados por terem acompanhado os depoimentos de Alexandre e Anna Carolina Jatobá, que falaram por cerca de 14h à polícia entre a manhã de quinta e a madrugada de sexta-feira.

Cristiane e Antônio devem falar em depoimento sobre as ligações telefônicas que receberam logo após Isabella ter sido jogada do 6º andar do prédio em que o casal Alexandre e Anna Jatobá mora na noite de 29 de março.

Também foi cancelada a entrevista que seria dada pelo delegado da Polícia Judiciária da Capital (Decap), Aldo Galeano, quando seriam reveladas as conclusões dos laudos realizados pelo Instituto de Criminalística (IC) e pelo Instituto Médico Legal (IML), que irão apontar quem matou Isabella e revelar mais detalhes de como o crime aconteceu. A secretaria ainda não informou o motivo do cancelamento.

Pedreiro presta novo depoimento

O pedreiro Gabriel dos Santos Neto, que trabalha na construção de um sobrado nos fundos do prédio onde a menina Isabella morreu, prestou novo depoimento, nesta terça-feira, no 9° Distrito Policial de São Paulo. Neto nega que tenha afirmado em seu primeiro depoimento, ocorrido no dia 10 de abril, que o sobrado foi arrombado na noite de sábado, 29 de março. "Não arrombaram e não levaram nada", disse.

Ele afirmou ainda que na noite do crime não estava no local e ficou sabendo o que aconteceu com a criança apenas na segunda-feira. Neto não soube dizer se uma pessoa conseguiria escalar o muro da construção, mas disse que ele é alto. "Tem quatro, cinco metros", afirmou.

Corregedoria

Nesta terça-feira, os advogados de defesa da Alexandre e Anna Carolina informaram que darão entrada em uma representação na Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo por causa de supostas irregularidades na condução do inquérito que investiga a morte da menina.

O advogado Rogério Neres de Sousa citou entre as irregularidades o fato de o casal ter sido questionado, na sexta-feira, acerca de provas que não estão nos autos, entre elas, as marcas de sangue de Isabella que teriam sido encontradas no carro da família.

O que as investigações revelaram

Até o momento, o que foi revelado pelos laudos do IC é que havia

AP
Caso Isabella chega a sua fase final
sangue no carro de Alexandre, no apartamento do casal e no sapato de Anna Carolina. A polícia sabia, desde o início das investigações, que havia sangue no carro de Alexandre, mas preferiu manter a informação em sigilo para não atrapalhar o encaminhamento do caso e confundir a defesa do casal. Durante a investigação, chegou até mesmo a anunciar que não era sangue a mancha encontrada no veículo.

De acordo com a polícia, havia sangue no encosto do banco do motorista, no assoalho do veículo e na lateral da cadeirinha de bebê. No apartamento, o sangue teria sido encontrado do hall de entrada até o quarto dos filhos do casal. Exames confirmaram que o sangue é de Isabella Nardoni.

Trilha de sangue - o laudo também apontou que havia uma trilha de sangue na cena do crime que o assassino tentou disfarçar. Ela começava no carro de Alexandre e continuava a partir da entrada do apartamento. Por isso, a perícia chegou à conclusão de que Isabella chegou ferida ao apartamento do 6º andar do Edifício Residencial London.

A trilha de sangue foi produzida por pingos que caíram de uma altura de 1,2 ou 1,3 metro de altura, o que é compatível com a altura do pai da menina. O rastro começa no carro de Alexandre, o Ford Ka estacionado na garagem do 2º subsolo do prédio, e só foi revelado após a aplicação do luminol (substância química que destaca manchas invisíveis a olho nu).

Além da porta do apartamento, a trilha continuava, passando ao lado da mesa com seis lugares e do sofá de couro preto. Em seguida, os pingos mostraram que o assassino de Isabella levou a menina no colo pela sala onde estava a tevê de plasma de 50 polegadas até o corredor em direção dos quartos.

Uma gota foi identificada, por exemplo, na frente da porta do banheiro. O criminoso entrou na primeira porta à esquerda - o quarto de Cauã e Pietro, que fica antes do de Isabella. Ele pôs Isabella em cima da cama enquanto cortava a rede da tela de proteção, daí a mancha de sangue no lençol encontrada no quarto.

Pegada de chinelo - foi então que o assassino escorregou e pisou no lençol da cama. É ali que foi encontrada a pegada característica do chinelo que Alexandre usava na noite do crime.

Tela cortada - a tela foi cortada rapidamente com uma faca e com uma tesoura - na roupa de Alexandre havia partículas de naílon da tela. Isabella foi segurada pelas mãos a 20 metros de altura. Foi solta primeiro pela mão esquerda e depois pela direita. Havia uma mancha de sangue em forma de dedos de criança a 5 cm do parapeito da janela.

Marcas no pescoço - os peritos também constataram que as marcas no pescoço da menina foram provocadas por esganadura. Pela extensão e o tipo das lesões internas, tudo leva a crer que a compressão foi feita por alguém não tão forte.

Reprodução/ TV Globo
Quarto de onde Isabella foi jogada
Versão do pai - o fato de Isabella ter chegado ferida ao prédio desmente o álibi do pai. Em seu primeiro interrogatório, Alexandre afirmou que ela estava bem quando chegou ao prédio. Isabella dormia. Alexandre afirmou que levou a menina no colo até o quarto dela. Alexandre contou à polícia que levou Isabella sozinho até o apartamento enquanto sua mulher e seus dois outros filhos aguardavam na garagem. Segundo ele, quando voltou ao apartamento encontrou a tela da janela rompida e a criança havia sido jogada.

Arrombamento e invasão - não havia sinais de arrombamento no apartamento nem de uma possível invasão do prédio. Os peritos usaram um homem de 1,9 m de altura para exemplificar que seria impossível que alguém escalasse o muro dos fundos do prédio para entrar no imóvel. Concluíram que não havia possibilidade de que uma terceira pessoa tivesse invadido o prédio e matado a menina.

A trilha de sangue no apartamento foi desfeita às pressas pelo criminoso. O que ele não contava era que o rastro de gotas de sangue e a presença de manchas na fralda fossem detectadas pelo uso do luminol.

Os peritos também analisaram as fitas de vídeo do sistema de segurança do Edifício London e do prédio em frente. Em nenhum momento foi observada a presença de pessoa estranha ou veículo entrando no prédio no dia do crime.

Portanto, os dois únicos adultos que estavam no apartamento naquela noite eram o pai e madrasta da menina. Essa certeza se deve ainda a um dos princípios de toda perícia criminal: todo contato deixa uma marca. Nenhuma outra pessoa deixou marcas dentro do apartamento além dos dois acusados. Todas as marcas e vestígios no lugar foram feitos pelo casal e pelas três crianças.

O caso

AE
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Trotta Peixoto.

No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas, disseram esperar que "a justiça seja feita".

*Com informações da Agência Estado

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