Depoimentos comprovam investigações da polícia sobre caso Isabella, diz promotor

SÃO PAULO - O promotor Francisco Cembranelli, que acompanha as investigações da morte de Isabella Nardoni, afirmou na noite desta terça-feira que os depoimentos das testemunhas de acusação que foram ouvidas pelo juiz Maurício Fossem, do Segundo Tribunal de Justiça de São Paulo, confirmaram tudo o que já havia sido obtido nas investigações feitas pela polícia com o auxílio do Ministério Público Estadual. Para o promotor, os depoimentos dos peritos e do médico legista foram os mais importantes, pois permitiram esclarecer questões pendentes, principalmente perante a defesa do casal.

Luciana Fracchetta, do Último Segundo |


"A defesa pode tirar todas as suas dúvidas. Fiz questão de trazer os profissionais habilitados porque são eles que interessam realmente", afirmou Cembranelli. Segundo ele, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, que assistiram os depoimentos algemados e sentados em uma mesa em frente ao juiz, tiveram comportamento "normal" e não se exaltaram durante a sessão.

Para Cembranelli, a acusação ganhou força com os depoimentos prestados nesta terça-feira. Ele acredita que os depoimentos programados para esta quarta-feira - quando deve depor a mãe de Isabella Nardoni, Ana Carolina Oliveira - devem reforçar ainda mais a tese defendida pela promotoria e a polícia.

Ao ser questionado sobre o valor das perícias "paralelas" realizadas pelo especialista George Sanguinetti, que foi contratado pela defesa do casal, o promotor foi taxativo e disse que estes laudos não acrescentam nada ao processo.

"O que vale é a perícia oficial feita por pessoas gabaritadas", disse. Segundo o promotor, o casal não vai retornar nesta noite para a cidade Tremembé, no interior paulista, onde ambos estão presos em penitenciárias separadas. Eles passam a noite em São Paulo, mas o local onde ficarão presos não foi divulgado pelas autoridades.

Brigas constantes

A última testemunha a depor nesta terça-feira foi Paulo César Colombo, que mora no prédio onde Alexandre e Anna Carolina moravam antes de se mudarem para o edifício London. Ele ressaltou o fato de o casal brigar constantemente, principalmente aos finais de semana, e que sempre ouvia a madrasta de Isabella gritar e falar palavrões.

Segundo ele, as brigas sempre começavam quando Alexandre deixava a filha Isabella na casa da mãe, Ana Carolina Oliveira, no domingo à noite. Colombo contou que tem uma filha da mesma idade de Isabella e que as duas meninas sempre brincavam juntas.

Ele ressaltou, porém, que Isabella não tolerava que dissessem que Anna Carolina Jatobá era sua mãe. "Ela era incisiva ao dizer: ela não é minha mãe".

Antes de Colombo, quem prestou depoimento foi Alexandre de Luca, sub-síndico do prédio onde o casal morava. Ele teria relatado um fato que aconteceu quando o casal ainda morava no prédio.

Segundo Luca, houve uma briga feia entre o casal e depois da discussão ele ouviu um estrondo muito forte. Ao descer até a portaria para buscar mais informações do ocorrido, ele teria se deparado com Anna Jatobá com o braço enfaixado.

Depois disso, Luca constatou que uma janela de vidro da lavanderia do apartamento do casal havia caído ao lado da churrasqueira do condomínio. Segundo ele, esta briga teria ocorrido logo após Isabella ser levada de volta para a casa da mãe.

Ele ressaltou também que parentes eram constantemente chamados para apartar brigas do casal.

Delegada

A delegada Renata da Silva Pontes, que também prestou depoimento, afirmou que sempre foi dada a Alexandre e Anna Jatobá a oportunidade de colocarem sua versão. Segundo a delegada, ela teria chegado no local do crime uma hora depois do crime, quando Alexandre a questionou se ela já havia encontrado o ladrão que teria jogado Isabella.

Porém, de acordo com a delegada, ela só resgistrou boletim de ocorrência 18 horas depois, pois tinha medo de qualificar o crime de maneira errada, pelo fato de ter percebido que o autor tinha vínculo com a vítima. "Não tenho o conhecimento de crime patrimonial, onde o agente joga uma criança pela janela".

Ex-vizinha

Antiga vizinha do casal, Benícia Maria Bronzati Fernandes disse que presenciava constantes brigas e cenas de ciúmes da madrasta de Isabella. Amiga da mãe de Alexandre, Benícia disse que teria alertado a avó da menina sobre o perigo que Anna Carolina representaria para Isabella. "Falei para a Cida que ela é tão maluca que qualquer hora joga a menina lá de cima". Ela relatou em depoimento o dia em que o casal foi para uma festa, onde a madrastra disputava o colo de Alexandre com Isabella .

Fraturas não causadas pela queda

O médico legista do Instituto Médico Legal (IML), Paulo Sérgio Tiepo Alves, afirmou que a fratura no punho de Isabella não poderia ter sido causada pela queda e deduziu que esse ferimento pode ter sido ocasionado através de uma tentativa de defesa da garota. "Se o ferimento fosse causado pela queda seria uma fratura mais severa". Segundo ele, foram encontradas quatro lesões diferentes, típicas de queda de uma altura pequena. 

Tiepo Alves foi o legista responsável pelo exame do corpo de Isabella, a fim de detectar as causas da morte. foi a segunda testemunha a depor sobre a morte de Isabella Nardoni na tarde desta terça-feira no Tribunal de Justiça de São Paulo.

Segundo ele, além dele outros dois peritos perceberam sinais de asfixia e poucas lesões externas. "A asfixia encontrada não foi ocasionada pela queda".

Alves confirmou que quando o resgate chegou ao local do crime, Isabella já estava morta, descartando qualquer possibilidade de que o processo de reanimação teria causado alguma lesão na garota, ao contrário do que o perito George Sanguinnetti, contratado pela defesa, acredita que tenha ocorrido.

"Eu sei que é sangue humano e é de Isabella"

Primeira a depor, a perita Rosangela Monteiro disse que havia sangue humano na cadeirinha de bebê no carro de Alexandre Nardoni.  "Eu sei que é sangue humano e é sangue de Isabella".

Segundo ela, já na primeira perícia realizada no apartamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá "foi constatado que a Isabella entrou no apartamento carregada e ferida". 

De acordo com a perita, uma das primeiras pessoas que entraram na cena do crime, no momento em que a perícia foi acionada, foi passado pela polícia que a ocorrência seria de roubo seguido de morte.

Indagada pelo advogado de defesa do casal, Marco Polo Levorin, se a retirada da tela de proteção prejudicou a preservação do local do crime, Rosangela defendeu o trabalho dos peritos. "Foi um dos locais mais bem preservados em 21 anos de experiência", disse.

Ela também afirmou que as marcas da trama da tela de proteção na camiseta de Alexandre eram "bem visíveis" e foram confirmadas com o uso de um aparelho com luz bem forte chamado Crimescop.

Em relação à fralda - que, segundo a polícia, teria sido lavada após supostamente limpar o sangue de Isabella -, Rosangela disse que o objeto foi encontrado em um balde com "bastante amaciante" e que o uso de reagentes permitiu identificar que havia sangue, que não foi identificado.

Segundo a perita, as diversas perícias realizadas no local foram necessárias para comprovar os indícios com equipamentos técnicos.

Depoimentos desta quarta

Os depoimentos das testemunhas de acusação prosseguem nesta quarta-feira, a partir das 13h30, no Fórum de Santana, na zona norte da capital paulista.

A mãe de Isabella, Ana Carolina de Oliveira, e os avós maternos da menina, José Arcanjo de Oliveira e Rosa Maria Cunha de Oliveira, estão entre as 10 testemunhas que serão ouvidas pelo juiz Maurício Fossem. Alexandre Nardoni e Anna Jatobá devem acompanhar, mais uma vez, a sessão.

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