Densidade da madeira é o segredo do som do Stradivarius, diz estudo

Washington, 2 jul (EFE).- A densidade da madeira dos violinos Stradivarius, os mais prestigiados do mundo, criados no século XVII pelos professores Antonio Stradivari e Guarneri del Gesù, é a chave do som único do instrumento, segundo um estudo publicado hoje.

EFE |

O holandês Berend Stoel, da Leiden University Medical Center (LUMC), em colaboração com o luthier americano Terry Borman, realizou uma pesquisa para tentar explicar a diferença de som entre os violinos dos grandes professores e os violinos modernos.

Para isso, examinaram cinco violinos antigos e sete modernos em um scanner médico do Hospital Monte Sinai de Nova York, empregado habitualmente para calcular a densidade da membrana pulmonar em pacientes com enfisema.

Os resultados da pesquisa, que serão publicados hoje na revista científica na Internet "PLoS ONE", indicam que "a homogeneidade na densidade da madeira utilizada nos violinos clássicos e o contraste marcante da mesma nos violinos modernos estudados podem explicar a qualidade do som".

Stoel, que tinha desenvolvido previamente um programa de informática para calcular a densidade pulmonar em pacientes com enfisema, o redesenhou para aplicá-lo ao estudo do interior dos violinos.

O uso da tecnologia de ponta permitiu estudar estes "pacientes" de mais de 300 anos, que revelaram o segredo guardado em seu interior.

Uma vez analisados, os pesquisadores descobriram que a densidade da madeira dos violinos antigos era mais homogênea que a dos modernos, algo que pode afetar a projeção do som.

"A vibração e a irradiação do som de um violino são determinadas pela geometria do instrumento e pelas propriedades da madeira", explicou Stoel.

Segundo o estudo, parte da explicação é que o crescimento das árvores hoje é ligeiramente diferente de como era no passado.

"As mudanças climáticas poderiam explicar parte da questão, mas o tratamento que é dado à madeira no processo de fabricação dos violinos modernos também", disse Stoel.

Os pesquisadores consideram que esta descoberta oferece novas possibilidades na reprodução da qualidade do som dos antigos violinos. EFE elv/bm/rr

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