O Homem que Engarrafava Nuvens, sobre Humberto Teixeira, seu pai, que fundamentou o baião ao lado de Luiz Gonzaga, a atriz abandonou o posto de símbolo sexual que construiu em novelas, produções picantes como Rio Babilônia e ensaios para revistas masculinas e foi morar em Nova York. De volta para promover o filme, sem saber muito bem como reagir ao lugar cativo que tem no imaginário de qualquer homem que viveu naquela época, Denise atribui tudo aquilo à arte e avisa: agora tem outras coisas para mostrar." / O Homem que Engarrafava Nuvens, sobre Humberto Teixeira, seu pai, que fundamentou o baião ao lado de Luiz Gonzaga, a atriz abandonou o posto de símbolo sexual que construiu em novelas, produções picantes como Rio Babilônia e ensaios para revistas masculinas e foi morar em Nova York. De volta para promover o filme, sem saber muito bem como reagir ao lugar cativo que tem no imaginário de qualquer homem que viveu naquela época, Denise atribui tudo aquilo à arte e avisa: agora tem outras coisas para mostrar." /

Denise Dummont mostra faceta como produtora e relembra carreira

SÃO PAULO ¿ Há 25 anos longe do Brasil, Denise Dummont já não desfruta da fama que a fez uma estrela na década de 1980. Produtora do documentário http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/2010/01/16/documentario+relembra+baiao+e+o+compositor+de+asa+branca+9300128.htmlO Homem que Engarrafava Nuvens, sobre Humberto Teixeira, seu pai, que fundamentou o baião ao lado de Luiz Gonzaga, a atriz abandonou o posto de símbolo sexual que construiu em novelas, produções picantes como Rio Babilônia e ensaios para revistas masculinas e foi morar em Nova York. De volta para promover o filme, sem saber muito bem como reagir ao lugar cativo que tem no imaginário de qualquer homem que viveu naquela época, Denise atribui tudo aquilo à arte e avisa: agora tem outras coisas para mostrar.

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

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Denise Dummont: de símbolo sexual nos anos oitenta a produtora de documentário

Filha da pianista Margot Bittencourt, que teve uma breve passagem pelo cinema nos anos 1950, Denise se interessou desde muito cedo pela carreira artística, talvez até pelo fato da mãe, após o divórcio, ter se mudado para a América do Norte. Estudando ao lado de Daniel Dantas e Herbert Richers Jr. no grupo amador do Teatro Bennett, no Rio de Janeiro, pegou gosto pela profissão e tirou o pai ¿ compositor de clássicos como "Asa Branca" e "Assum Preto" ¿ do sério.

"Eu era uma mistura de santinha e rebelde", lembra Denise, em entrevista ao iG. "Não era das piores, mas era teimosa. Queria fazer o queria, e meu pai era contra. Ele era bastante obsessivo, não aceitava isso de ser atriz, nem outras coisas básicas. Era contra maquiagem, ir a festas, namorar. Mulher tinha que ficar dentro de casa, né?"

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Denise Dummont e João Carlos Barroso
na novela "Marron Glacê" (1979)

Resoluta, completou 18 anos e, sem se importar com a opinião do pai ¿ "ele não tinha mais legalmente como me impedir" ¿, foi fazer um teste na rede Globo. Levada por Ângela Leal, conheceu Daniel Filho, Walter Avancini e logo estreou na novela "Semideus", em 1973. Na sequência fez diversos trabalhos nos palcos e explodiu na televisão alguns anos depois nos folhetins "Marron Glacê" e "Marina".

O cinema consolidou Denise como celebridade no início da década de 1980. A não ser o inocente "Os Vagabundos Trapalhões", uma série de longas-metragens ¿ "Terror e Êxtase", "Filhos e Amantes", "Eros, O Deus do Amor", de Walter Hugo Khouri, e o mais famoso, "Rio Babilônia" ¿ mostram tórridas cenas de sexo e doses generosas da nudez da atriz. Filmes libertários, produzidos pouco depois do auge das pornochanchadas e que, por isso, acabaram ganhando uma fama similar.

"Volta e meia me perguntam se eu fazia pornochanchada", comenta Denise.  "Eram filmes bastante transgressores, isso sim, mas essa era a época. A gente vivia sob a ditadura militar, uma censura tremenda. Era o resultado direto de não se poder falar de política, miséria, tortura, todas essas coisas horríveis que estavam acontecendo no país naquele momento. Mas se podia falar sobre sexo, que acho que foi o que gerou toda a linguagem daquela época."

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Na capa da Playboy, em agosto de 1980

Fotos para a Playboy e revista Status consagraram a figura de Denise Dummont como um símbolo sexual. Divertindo-se com o rótulo, ela conta que a soma de seus trabalhos contribuiu para criar essa aura em torno de seu nome. "É engraçado, porque foi um trabalho como atriz. Aquilo era uma imagem que foi consequência dos filmes, personagens que fiz. Nunca me senti 'sex symbol' e continuo não me sentindo. Fazer Playboy era quase que parte, todas as atrizes da minha época fizeram. Não tenho síndrome de puta arrependida (risos), mas não sei se faria novamente."

Denise participou do sucesso "O Beijo da Mulher Aranha", de Hector Babenco, em 1984, e no fim do ano foi aos EUA visitar a mãe e acompanhar o lançamento do filme, estrelado por William Hurt (que acabou ganhando o Oscar). Apesar de pequeno, o papel da atriz recebeu críticas positivas e ela acabou ficando para experimentar a carreira internacional e para que o filho, Diogo ¿ fruto do casamento com Claudio Marzo ¿ pudesse aprender inglês.

A temporada rendeu uma celebrada participação em "Era do Rádio" (1987), de Woody Allen, fazendo uma paródia de Carmen Miranda, e outros papéis menores, mas o impacto definitivo aconteceu quando encontrou o roteirista Matthew Chapman, bisneto de Charles Darwin. Os dois se casaram, tiveram uma filha e fixaram residência em Nova York. Com o tempo, o trabalho como atriz foi sendo colocado em banho-maria, até cessar quase que totalmente.

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Denise Dummont com o cantor Otto, no set de "O Homem que Engarrafava Nuvens"

"Passei muitos anos da minha vida casada com a profissão. Queria estar disponível para os meus filhos, ver eles crescerem, quem sabe por eu não ter tido isso. Meio que botei a carreira de lado. Talvez por eu ter passado uma década com a minha família, meu primeiro projeto tinha a ver com isso, um resgate familiar."

Em Nova York, Denise conheceu Ana Jobim, viúva do Tom, e Luciana Moraes, filha de Vinícius, e se inspirou para cuidar da obra do pai, esquecida. Na juventude, ela nunca havia se preocupado com isso. "Achava extremamente cafona, sem a menor graça, até porque a época áurea do baião foi antes de eu nascer. Eu era uma adolescente esnobe de Ipanema que só gostava de rock, MPB. Conhecia as músicas dele [Humberto Teixeira] mais porque ele cantava em casa para mim."

Como filha única, percebeu que se não arregaçasse as mangas, ninguém mais o faria. Denise convidou o diretor Lírio Ferreira para o projeto, batalhou muito por financiamento e teve de esperar sete anos para ver o "O Homem que Engarrafava Nuvens" concluído. Ansiosa para ver como será a reação do público para o filme, quer no futuro continuar atrás da câmeras. "Agora fiquei com vontade de produzir novamente, provavelmente um roteiro do Matthew. Talvez uma história de um estrangeiro porque me interessa, é parte da minha vida."

Assista ao trailer de "O Homem que Engarrafava Nuvens":

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