A ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu afirmou hoje, em depoimento na Comissão de infra-estrutura do Senado, que foi feito um dossiê com supostas informações de operações bancárias dela no exterior era claramente falso que tinha por objetivo fazer pressão psicológica com o intuito de mantê-la calada. Denise disse que ao receber o dossiê, datado de agosto de 2007, mês em que renunciou ao cargo, contatou seu advogado, que levou o dossiê à Polícia Federal de São Paulo.

Segundo ela, a PF alegou que, como ela não era mais autoridade federal, o assunto teria de ser conduzido pela Polícia Civil. Esta, por sua vez, disse que o assunto envolvia lavagem de dinheiro e, por isso, devolveu o caso à PF. De acordo com a ex-diretora da Anac, a PF abriu inquérito e decretou sigilo, impedindo até seu advogado de ter acesso ao caso.

Ao tratar do assunto no depoimento, Denise se dirigiu ao senador Romero Jucá (PMDB-RR), que havia lhe questionado sobre o assunto, e afirmou: "Senador, o senhor me conhece minimamente, e mais do que muitos aqui presentes. Jamais tive contas internacionais, jamais fiz operações de remessas de dinheiro. Evidentemente, isso foi instrumento de pressão psicológica que visava a me calar".

Denise disse que não declarou em nenhum momento que a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, teria feito esse dossiê, mesmo porque, segundo a ex-diretora, o material é em inglês e "ela (Erenice) não sabe nem o básico". Na sessão, Denise reiterou a posição dela e do ex-procurador da Fazenda Nacional Manoel Felipe Brandão, de que a empresa que comprasse a Varig adquiriria suas dúvidas tributárias e trabalhistas.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.