Dengue: 48% das cidades com risco falham no combate

Quase a metade (48%) dos 670 municípios brasileiros com risco de epidemia de dengue não tem um plano de contingência (33%) ou sequer informa ao Ministério da Saúde a situação sanitária vivida no combate ao mosquito (15%). O plano de contingência obriga as cidades com risco de epidemia a fazer, inclusive, uma lista de hospitais especializados, profissionais e laboratórios para atendimento da população num momento de crise.

Agência Estado |

Das 33 cidades do Piauí listadas como prioritárias, por exemplo, 30 não apresentaram um plano de emergência. Em Alagoas, das 19 cidades da lista, 17 não têm planos e as duas restantes não informaram ao ministério em que situação estão.

"Há ainda grande número de cidades que têm planos defasados", admitiu o secretário-ajunto de Vigilância do Ministério da Saúde, Fabiano Pimenta. A falta de um plano de emergência para combater a dengue já havia sido detectada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em novembro do ano passado, num relatório que analisou o Programa Nacional de Dengue do País. No documento, o TCU recomendou que o Ministério da Saúde identificasse os municípios em falta e, numa segunda etapa, auxiliasse na realização desse plano.

O relatório do TCU fala em "ações precárias e ineficazes" no combate à dengue e diz que a mão-de-obra trabalha, "no mais das vezes, sem receber o adequado treinamento ou mesmo se revelando em número insuficiente". As falhas do TCU não foram detectadas pelo Ministério da Saúde, como revelou ontem o deputado Fernando Coruja (SC), líder do PPS. Há menos de oito meses, o ministério atestou em documento encaminhado à Câmara que o sistema público de saúde nos Estados e nos municípios estava preparado para atender eventual situação de aumento de casos de dengue no País.

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