Democratização da saúde no Brasil

Democratização da saúde no Brasil Por José Humberto Affonseca e Eduardo Colturato * Uma das situações mais penosas da vida é enfrentar a perda de um benefício duramente conquistado, especialmente nos cuidados com a saúde. Diariamente presenciamos histórias como estas: - Um executivo aposentado aos 61 anos se vê na situação de custear o próprio convênio médico.

Agência Estado |

Ele constata que, mesmo se pagar R$ 10 mil por ano, tem poucas chances de conseguir ser aceito por um plano.

- Um casal de profissionais liberais desiste de manter um convênio depois que os aumentos sucessivos tornam inviável o orçamento da família.

- Os filhos de um casal de idosos se vêem obrigados a arcar com os altos custos de uma doença crônica não coberta pelo plano pago há 15 anos.

Infelizmente, esta é uma realidade no mundo, segundo um relatório recentemente divulgado pelo Fórum Econômico Mundial. Aliás, já estamos vivendo uma situação insustentável no Brasil. As famílias gastam mais do que o governo para ter um atendimento com mais qualidade e cerca de 80% da população conta apenas com o SUS. O modelo de medicina privada adotado no país consegue a façanha de desagradar a todos - empresas, profissionais de saúde e pacientes.

Há uma necessidade urgente de reformas. Mas que modelo será capaz de alinhar a indispensável eficiência empresarial com as demandas dos pacientes? Várias idéias estão sendo testadas no mundo e uma das experiências que mais têm avançado já se encontra em operação no Brasil. Trata-se de um sistema de autogestão individual que permite ao associado escolher livremente os serviços de saúde, com a vantagem de pagar um preço tabelado e acessível.

Este sistema tem a virtude de atender dois entraves - é uma alternativa de qualidade para quem não tem condições de pagar um plano; e representa uma saída para o exercício pleno da medicina, excessivamente dependente das imposições dos convênios. Assim como acontece nos países aonde o modelo vêm sendo testado com sucesso, os benefícios compensam em larga medida a necessidade de o próprio usuário desembolsar o valor de uma anuidade e pagar pelos serviços de saúde que utiliza.

O sistema oferece vantagens como: acesso a um cadastro informatizado de médicos especialistas; livre escolha do profissional, o que estimula o vínculo médico-paciente; uso racional dos serviços de saúde, pois paga-se pelo que se usa; e não há restrições, seja de carência, idade, doença pré-existente ou limite de utilização.

Estamos diante de uma realidade incontornável - cada vez mais, o paciente precisará assumir a administração da sua saúde, nos moldes propostos pelo modelo de autogestão individual O grande desafio agora é contornar a barreira cultural que vê os planos como a única saída fora do precário atendimento público.

* Sócios-diretores do SINASA (Sistema de Atendimento à Saúde) www.sinasa.com.br

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG