DEM vai exigir vaga de vice de Serra

O presidente nacional do partido Democratas, deputado Rodrigo Maia, dá praticamente como certo que Aécio Neves não será o vice na chapa de José Serra a presidente da República. E afirma que, neste caso, seu partido não abre mão da vaga: Se o Aécio não é o candidato a vice, não tem mais essa história de chapa puro-sangue do PSDB. A vaga é do DEM e ponto final.

Tales Faria, iG Brasília |

Rodrigo Maia comentou a pesquisa do instituto Vox Populi, que Aécio Neves recebeu na noite da segunda-feira, 15, e que foi revelada ontem pelo iG . O objetivo do levantamento era mensurar o poder do governador mineiro de conquistar votos para a candidatura de José Serra em Minas Gerais - especificamente no universo de eleitores que não votariam no candidato tucano se a eleição fosse hoje. De acordo com os números do Vox Populi, Serra tem 45% das intenções de voto em Minas Gerais. A pesquisa procurou os 55% que votariam em outros candidatos ou em candidato algum. A este grupo propôs dois cenários. No primeiro, quis saber como se comportaria caso Aécio simplesmente apoiasse Serra. No segundo cenário, perguntou o que faria se Aécio integrasse a chapa tucana como candidato a vice-presidente. A conclusão é que uma eventual entrada de Aécio na chapa do PSDB teria um efeito eleitoral mínimo.

O estudo - que se transformou no argumento técnico que Aécio precisava para embasar sua decisão de se candidatar  ao Senado - mostra o seguinte: se Aécio apoiasse Serra simplesmente, sem ser seu companheiro de chapa, conseguiria influenciar o voto de 9% dos eleitores mineiros. E se Aécio se tornasse vice de Serra, a influência atingiria 13% dos eleitores mineiros. A diferença entre apoiar Serra e ser vice de Serra é de 4 pontos porcentuais em Minas Gerais. Embora a pesquisa tenha se debruçado sobre 55% do eleitorado, os dados apresentados já foram convertidos para o colégio mineiro em geral. Como os eleitores mineiros representam 13% do eleitorado brasileiro, 4 pontos porcentuais em Minas equivalem a 0,5% dos votos nacionais. O trabalho não levantou o efeito que o eventual ingresso de Aécio na chapa tucana teria em outros estados brasileiros.

O próprio Aécio apresentou os números da pesquisa a seus colegas de partido, como argumento contrário às pressões para que aceite ser vice de Serra. Mas a cúpula tucana ainda resiste. "O problema não são os números, diz o presidente nacional do PSDB, Sergio Guerra. Pouco importa se, objetivamente, agora, Aécio agrega 500 mil votos ou 5 milhões. A presença dele na chapa traria mais emoção, uma energia positiva que, tenho certeza, reforçaria o favoritismo do nosso candidato ao Palácio do Planalto." Guerra, no entanto, diz que o partido parou de pressionar o governador de Minas Gerais a assumir a candidatura a vice. O PSDB mineiro lançou a pré-candidatura do governador para uma das duas vagas de senador.

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto, tem opinião semelhante a de Guerra. "Não importam os números. A presença do Aécio traria mais densidade política à chapa e isso, mais na frente, acaba se revertendo em votos que, hoje, não são mensuráveis", declarou ao iG . A dedicação dos tucanos à chamada chapa puro sangue acabou incomodando os tradicionais aliados do DEM. "Eles erraram na estratégia, diz Rodrigo Maia. Deram tanta importância à discussão do vice que ele assumiu uma importância maior do que o candidato. Vamos esperar, então, a oficialização do nome do Serra e aí o DEM entrara na discussão concreta do vice, diz o presidente do Democratas.

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