DEM retira apoio ao presidente José Sarney e defende licença temporária

BRASÍLIA ¿ A bancada do DEM decidiu nesta terça-feira retirar o apoio ao presidente do Senado, senador José Sarney (PMDB-AP), e defender a licença temporária do presidente. A proposta se deu após o peemedebista ter seu nome envolvido em sucessivos escândalos na Casa em torno de nomeações de parentes e apadrinhados.

Carollina Andrade, repórter em Brasília |

A posição é partidária e consensual da bancada. Evidente que considerações foram feitas, ponderações colocadas, mas a nossa decisão é de propor que o presidente Sarney se licencie da presidência pelo prazo em que as investigações que correm sejam concluídas. Isso seria uma forma de garantir perante a sociedade a isenção das investigações e a credibilidade da instituição Senado, disse o líder do democratas, José Agripino Maia (RN).

Agência Brasil

Sarney tenta se manter no cargo de presidente do Senado

De acordo com o líder, a decisão tomada pelo partido foi por a"bsoluto compromisso com a legalidade" e com a credibilidade da instituição. "A atitude que tomamos não foi por gosto, mas por interesse em sintonizar com a opinão pública. É necessário que as apurações dos fatos sejam acreditadas. Se ele (Sarney) for  considerado inocente pelas investigações ele volta a presidência, se não, evidentemente, ele arcará com a responsabilidade da culpa que foi imputada por uma investigação isenta feita por um senado que terá merecido a credibilidade", acrescentou o líder.

Para a senadora Kátia Abreu (TO), não há como prosseguir com as investigações se o presidente da Casa não se afastar. Como investigar se o chefe continuar na Casa, não tem como", conclui.

Apesar de perder apoio do DEM, o senador continua com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Preocupado com a desestabilização do mandato de Sarney, Lula vem atuando para assegurar apoio dos partidos de esquerda ao aliado. Nesta segunda-feira, o ministro de Relações Institucionais do governo, José Múcio Monteiro, declarou que mesmo em meio às frequentes denúncias de irregularidades no Congresso, o parlamentar não deve deixar o posto.

"O apoio do governo ao presidente (Sarney) já foi dito, é absoluto. O quadro não evoluiu. (Existem) denúncias que estão sendo apuradas pessoalmente pelo presidente do Senado. Vamos aguardar a evolução e esperar", declarou Múcio, reiterando que "em hipótese nenhuma" José Sarney deixa o cargo de presidente do Senado. Se afastado, Sarney daria lugar ao tucano Marconi Perillo (PSDB-GO), vice-presidente da Casa.

O PSDB e o PT também devem se reunir nesta terça-feira para examinar a situação política de Sarney.

Novas denúncias

Ainda nesta terça-feira, José Sarney foi alvo de uma representação do PSol por quebra de decoro. No documento, o partido pede apuração no caso dos atos secretos, uma vez que, de acordo com o partido, Sarney teve pelo menos 15 parentes ou afilhados políticos beneficiados por decisões não publicadas no Boletim de Pessoal da Casa.

"Diante de tais fatos, o Representado nada fez até o momento, se restringindo a discursar sobre o problema afirmando ser uma questão institucional. Não anulou os atos, não tomou medidas saneadoras,
deixando de preservar o Senado Federal, bem como a integridade pública", diz a representação contra Sarney.

(Com informações de Severino Motta)

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