BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), recomendou na quinta-feira que o segundo vice-presidente da Câmara, Edmar Moreira (DEM-MG), renuncie ao cargo. Moreira foi eleito na segunda-feira. Nos dias seguintes, no entanto, enfrentou acusações de não declarar à Justiça Eleitoral a posse de um castelo em seu Estado avaliado em 20 milhões de reais e de fraudar a Previdência. Além disso, Moreira disse ser favorável a que se retire do Legislativo o poder de julgar seus integrantes. O segundo vice-presidente da Câmara acumula a função de corregedor da Casa.

"Somadas suas últimas atitudes às denúncias de contradição nas informações de sua declaração de bens, o Democratas considera que quaisquer decisões, mesmo que corretas, tomadas pelo referido deputado no exercício de suas funções serão sempre eivadas de suspeição, com evidentes prejuízos para a imagem do Poder Legislativo", disse Maia por meio de uma nota, lembrando que a legenda defende a existência do Conselho de Ética da Câmara.

"O conjunto dos fatos expostos recomenda, como solução adequada, sua imediata renúncia à segunda vice-presidência da Câmara", acrescentou o presidente do DEM.

Maia afirmou ainda que o DEM remeterá as denúncias à Comissão de Ética do partido para que seja definido o destino do parlamentar.

O deputado negou as acusações. Alegou que o castelo está em nome de um filho e disse já ter quitado suas dívidas com a Previdência.

"Eu tenho tudo declarado no Imposto de Renda, tenho certidão negativa da obra, tenho a fonte de receita", disse Moreira em entrevista coletiva, segundo a Agência Câmara.

Moreira foi eleito para o cargo como candidato avulso. O deputado concorreu com Vic Pires Franco (DEM-PA), que disputou a eleição para a Mesa Diretora da Câmara com o apoio do partido.

(Reportagem de Fernando Exman)

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