DEM pede afastamento temporário de Sarney

BRASÍLIA (Reuters) - A bancada do DEM decidiu nesta terça-feira pedir o afastamento temporário do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Segundo o líder da bancada, José Agripino Maia (DEM-RN), senadores de seu partido defendem que esse afastamento dure até a conclusão das investigações sobre supostas irregularidades na administração da Casa. O Democratas exerceu papel fundamental para a eleição de Sarney ao comando do Senado em fevereiro, ao lado do PMDB e PTB, e vinha apoiando o senador. O partido tem 14 senadores, a segunda maior bancada após o PMDB.

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"A posição é de propor que o presidente Sarney se licencie da presidência pelo prazo em que as investigações, que correm sob a responsabilidade de funcionários do Senado acompanhadas pelo Ministério Público e pelo TCU (Tribunal de Contas da União), se encerrem", disse Agripino a jornalistas depois da reunião da bancada em que foi decidido o pedido de licença.

Segundo o senador, a decisão tem como objetivo "garantir perante a sociedade a isenção das investigações e a credibilidade da instituição Senado".

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) contou que dez integrantes da bancada defenderam essa tese, enquanto outros três queriam que o partido apenas pedisse o afastamento de Sarney da condução do processo de investigação.

Segundo ele, foram voto vencido os senadores Heráclito Fortes (PI), primeiro-secretário da Casa, Eliseu Resende (MG) e Antonio Carlos Magalhães Junior (BA). A senadora Maria do Carmo Alves (SE) não foi consultada devido a problemas de saúde.

Demóstenes disse ainda que pesou na decisão da maioria dos senadores do Democratas a pressão da opinião pública um ano antes das eleições.

Com o DEM retirando o apoio, Sarney conta, até agora, com a aliança do PMDB e do PT. As duas legendas, além do PSDB, agendaram reuniões para esta terça-feira para debater uma posição.

A pressão contra Sarney vem também do PSOL, que protocolou representação contra ele por quebra de decoro parlamentar. No limite, Sarney pode ter o mandato cassado. A legenda responsabiliza o presidente da Casa pelos chamados atos secretos, que serviam para empregar parentes de senadores e elevar salários sem conhecimento público.

(Reportagem de Fernando Exman)

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