BRASÍLIA - O Democratas (DEM) irá orientar seus candidatos a abordarem, nas campanhas das eleições municipais de outubro, a volta da inflação para atacar o governo e obter votos ¿de protesto¿. A cúpula do partido definirá, na próxima semana, estratégias para emplacar a tese de que a inflação esvazia a geladeira dos pobres por fatores como a ¿gastança¿ governamental e falta de preparo para os abalos internacionais.


Segundo o idealizador da tática, deputado federal Paulo Bornhausen (DEM-SC), um das principais formas de preparo do candidato e de sensibilização do eleitor será o feirão da inflação, evento a ser realizado em todos os estados para conscientização do aumento de preços da alimentação, item mais importante no orçamento familiar dos pobres. O primeiro feirão foi feito em Florianópolis nesse fim de semana, com apoio de Bornhausen, um dos parlamentares que se destacaram na luta contra a prorrogação da CPMF, em 2007, e pela redução dos impostos.

Segundo institutos de credibilidade como o Dieese, a cesta básica aumentou em até 52% nos últimos doze meses, caso de Natal (RN). Em Recife, foi de 45%, destacou Paulo Bornhausen. O deputado ressalta que no DEM o objetivo não é ganhar a eleição com a inflação, mas formar um juízo crítico da população sobre o problema, e um efeito colateral seria o voto de protesto.

O deputado disse que os altos índices de popularidade do presidente Lula não irão atrapalhar, nem o fato de a inflação ser um tema nacional ¿ já que as eleições municipais têm um caráter regional, com ênfase em questões do cotidiano do eleitor.

O presidente Lula tem um grande poder de comunicação e pode confundir as pessoas num primeiro momento, mas as pessoas não terão mais dúvidas quando faltar comida em casa. Quem cuida de inflação é o presidente, o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central. A inflação tem endereço, e é o Palácio do Planalto, argumentou Bornhausen.

Manipulação

Idéias como essa serão trabalhadas de forma didática pelo DEM, inclusive como antídoto para o discurso dos candidatos governistas sobre as melhores condições do povo após o programa Bolsa Família ¿ que teve reajuste dos benefícios no mês passado, de 18% em média.

O aumento no Bolsa Família não atingiu a enorme massa que ganha salário mínimo. O reajuste do mínimo foi de um dígito, enquanto a comida encareceu dois dígitos. O candidato vai entrar na casa de famílias pobres, e em vez de ouvir pedido de construção de praça ou ponte, vai ouvir que acabou o gás, que as contas de luz e água estão atrasadas e o dinheiro não dá mais para a comida, observou Paulo Bornhausen.

Ele sustenta que não adianta o governo dizer que a inflação vem de fora, porque um dos principais fatores, a alta do petróleo, era previsto desde o ano passado, e o governo não fez o planejamento correto para enfrentar o problema.

O líder do DEM no Senado, senador José Agripino Maia (RN), disse que esse é um tema que nem precisaria ser abordado em campanha porque a inflação tira votos naturalmente. Ele receia a manipulação do tema pelo presidente Lula.

A inflação o povo sente. Significa má condução da política econômica, porque o governo não reduziu a carga tributária e não baixou a taxa de juros quando deveria [para favorecer investimentos de empresários na oferta de produtos], e ainda aumentou os gastos, gerando maior demanda de produtos e serviços e contribuindo para o reajuste dos preços,  alegou Agripino. 

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