SÃO PAULO - O presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ) e o senador José Agripino (DEM-RN), negaram nesta quinta-feira que seu partido recebeu recursos de forma ilegal da construtora Camargo Corrêa, que teve diretores presos pela Polícia Federal acusados de remessa ilegal de dólares para o exterior, superfaturamento de obras públicas e doações ilegais para partidos políticos. De acordo com Maia, há um uso político da operação por parte do governo.

Futura Press
Agente chega à sede da Polícia Federal
"Houve uso político da operação da PF, por isso o Democratas mostra que todas as doações recebidas foram legais e estão aprovadas pela Justiça Eleitoral, disse.

Devido a esse suposto uso político, o presidente da sigla disse que vai pedir à justiça cópia do inquérito da operação Castelo de Areia, que identificou os prováveis crimes da Camargo Corrêa. Ele pretende processar os responsáveis pela operação e divulgação de informações.

O senador Agripino, citado em conversas dos investigados por ter recebido R$ 300 mil, mostrou comprovantes da doação do valor para o diretório regional de seu partido. De acordo com ele, tudo foi feito dentro da Lei. A divulgação de tal informação, disse, quer atingi-lo por ser líder da oposição no Senado.

Querem denegrir minha imagem, que sou líder de oposição, disse. Queremos acesso ao processo, se for negado vamos ao STF para identificar se há viés político. Se no corpo do processo encontrarmos o viés político nós não exitaremos em processar pessoas, completou.

Os dois integrantes do DEM ainda criticaram o fato de informações dando conta de supostas doações ilegais para partidos da oposição terem sido divulgadas durante o dia. E só a noite se falou de partidos da base, de menor importância, disse Maia.

O dirigente ainda destacou que o foco da operação foi alterado, uma vez que em sua opinião a investigação sobre um suposto superfaturamento na construção de uma refinaria da Petrobras no nordeste deveria ser o objeto principal.

O presidente também disse que as acusações que pesam sobre a Fiesp, que supostamente teria coordenado o repasse das doações aos partidos, pode ser um rescaldo pelo papel da instituição na derruba da CPMF.

Os dois ainda criticaram o fato do PT não ser acusado na operação e disseram que sem dúvida candidatos do partido nas últimas eleições receberam recursos da Camargo Corrêa. Disseram também que da maneira que a operação foi divulgada, parece que todos os partidos receberam recursos de forma ilegal.

Os partidos fazem campanha com doações previstas em Lei. Doações legais em valores compatíveis com a legislação. Se formos nos envergonhar do que é legal esse país acabou, pontuou Agripino.

Assista abaixo ao vídeo sobre a operação:

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