BRASÍLIA (Reuters) - Após a desfiliação do governador licenciado do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e de Paulo Octávio, que renunciou ao cargo de vice-governador, o diretório regional do Democratas decidiu nesta quarta-feira pela sua autodissolução. Com a medida, a liderança regional do DEM evitou uma intervenção da direção nacional do partido. O comando do partido no DF ficará a cargo do senador ex-vice-presidente da República Marco Maciel (PE) por tempo indeterminado.

Também ficou decidido que todos os filiados --cerca de 30 mil no Distrito Federal-- que ocupam cargos no governo local deixem suas posições. Estima-se, extraoficialmente, que o DEM ocupe cerca de 600 cargos no governo do DF. Quem desobedecer a decisão será expulso do partido.

O secretário de Transportes, Alberto Fraga, terá uma semana para transferir o cargo devido aos muitos contratos com os quais a secretaria está envolvida.

"Eu posso não concordar com a decisão, mas eu sempre disse que eu sou um bom soldado, eu cumpro ordens e vou cumprir a determinação", disse Fraga a jornalistas.

Arruda e Octávio são citados nas investigações sobre um suposto esquema de pagamentos de propinas que ficou conhecido como Mensalão do DEM.

Para o deputado federal Osório Adriano, ex-presidente do diretório regional, "não podemos ter a cada dia uma acusação".

Já o presidente nacional da legenda, deputado Rodrigo Maia (RJ), as ações do DEM trazem uma sensação de "dever cumprido".

"O partido passou por essa crise e respondeu de forma adequada... essa é a grande diferença do nosso partido", disse Maia a jornalistas.

"Ninguém está livre de passar por problemas, nós passamos pelos nossos, mas nós respondemos de maneira muito diferente de outros partidos e eu tenho certeza que isso vai ser um diferencial nas eleições de 2010", acrescentou.

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