BRASÍLIA (Reuters) - A bancada do DEM no Senado defendeu nesta terça-feira o pedido afastamento do presidente da instituição, José Sarney (PMDB-AP), no Conselho de Ética da Casa. O posicionamento foi considerado um recuo já que havia a expectativa de que os senadores do Democratas formalizassem um pedido de renúncia. A tese do afastamento, no entanto, foi a única que unificou a bancada. Segundo o líder da bancada no Senado, José Agripino (RN), se algum processo for julgado procedente no Conselho, Sarney terá de deixar o cargo enquanto durem as investigações.

"Defender algo cuja solução está com o acusado, tem efeito espuma", acrescentou Agripino ao justificar o fato de o partido não pedir a renúncia. O DEM apoiou a eleição de Sarney ao comando do Senado.

Colegas peemedebistas, como o senador Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE), e até a própria família vem pressionando para que Sarney renuncie.

Além do DEM, integrantes do PSDB, PSB, PDT e do próprio PT reuniram-se nesta terça-feira para tratar da crise que, segundo esses partidos, entrou em clima de total conflagração política.

O PSDB e o DEM estão propondo aos outros três partidos um pedido unificado de afastamento, o que implicaria em perda numérica de apoio à permanência de Sarney à frente do cargo. Esses três partidos ainda não se definiram pela ação conjunta.

Até o momento, constam onze ações contra o presidente do Senado no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar. O órgão deve se reunir na quarta-feira.

São 6 denúncias --quatro de autoria do líder Arthur Virgílio (PSDB-AM) e duas assinadas em conjunto por Virgílio e Cristovam Buarque (PDT-DF)-- e cinco representações, sendo duas protocoladas pelo PSOL e três pelo PSDB que, no extremo, podem culminar na cassação de Sarney.

Desde fevereiro, quando assumiu a presidência do Senado, Sarney esteve a maior parte do tempo mergulhado na gestão de escândalos que envolvem práticas de abuso de poder, contratação de parentes e apadrinhamento de servidores.

(Reportagem de Natuza Nery)

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