DEM decide abrir processo interno contra Feijó e designa relator

BRASÍLIA - A cúpula do DEM decidiu, após reunião na manhã desta quinta-feira, aceitar a representação do senador Heráclito Fortes (DEM-PI) para o processo interno contra Paulo Feijó, vice-governador do Rio Grande do Sul, que usou escutas clandestinas para denunciar corrupção no governo gaúcho.

Rodrigo Ledo ¿ Último Segundo/Santafé Idéias |

O partido designou o deputado federal Ande de Paula (DEM-PE) como relator, e nos bastidores correligionários dizem que Feijó deverá ser punido, mas não com pena máxima, de expulsão.  

De acordo com os dirigentes do DEM, o parecer do relator sobre o caso deverá ser apresentado em uma semana. Uma das sanções possíveis é uma advertência. 

O partido tem compromisso com a legalidade. O método usado pelo vice-governador para denunciar a corrupção é inaceitável, classificou o líder do DEM no Senado, senador José Agripino Maia (RN). 

O autor da representação contra Feijó disse que o partido não poderia imitar o PT com suas práticas ilegais de denúncias, algo que o DEM sempre acusa. O objetivo de minha representação é mostrar a coerência partidária pela defesa da ética  e seus princípios, alegou.  

Tensão

Fontes do DEM que participaram da reunião desta quinta-feira revelaram que houve contradições e tensão na decisão sobre o processo interno e a punição cabível a Paulo Feijó. O padrinho político do vice-governador, deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), teria se posicionado contra a aceitação da representação de Heráclito Fortes.  

Outros membros da executiva nacional do partido, os senadores Marco Maciel (DEM-PE) e o deputado federal José Carlos Aleluia (DEM-BA), defenderam sanções mais duras. A tese intermediária, de uma punição sem muito rigor, foi levantada pelo presidente do DEM, deputado federal Rodrigo Maia (RJ), e o líder no Senado, José Agripino Maia. Segundo o presidente e o líder, o partido não pode radicalizar porque a intenção de Feijó de revelar corrupção teria sido louvável, apesar do método condenável e da crise política causada no governo gaúcho.

O caso

O vice-governador do Rio Grande do Sul, Paulo Afonso Feijó, divulgou uma gravação com uma conversa entre ele e o ex-chefe da Casa Civil do Estado, Cézar Busatto. No diálogo, Busatto diz que órgãos da administração estadual, como o Detran, o Banrisul e o Daer, seriam usados para dar sustentação financeiras a partidos da base de sustentação da governadora Yeda Crusius, no caso o PP e o PMDB.

A divulgação da gravação determinou a queda de Busatto e esquentou o clima na CPI do Detran, instaurada pela Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul para investigar o desvio de R$ 44 milhões dos cofres do Detran. Por causa de investigações, outros secretários e servidores do governo Yeda Crusius já perderam o cargo.

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