DEM chama Dilma de anticandidata e PSDB diz que Alencar é demagogo

BRASÍLIA - O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), disse na tarde desta terça-feira que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) é uma anticandidata. Segundo ele para concorrer à presidência da República é preciso, antes de mais nada, de uma história política. Fazendo coro com o colega, mas atacando outra figura ilustre do governo, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse que o vice-presidente, José Alencar, é um demagogo por dizer que a população gostaria de um terceiro mandato de Lula.

Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias |

"Para mim ela é uma anticandidata, para se chegar à presidência tem que ter uma história política", disse Maia.

Já Guerra, sobre o vice-presidente, não economizou nas agressões verbais contra Alencar, que num programa da rádio Bandeirantes, citou que parte da população é favorável a um terceiro mandato de Lula.

"Lamentável o vice-presidente dar essa declaração", disse. "Deplorável. Está a serviço de algo que não é a democracia", completou. "Demagogia de gente que não tem responsabilidade", acrescentou. "É um demagogo", concluiu. 

Representação contra Dilma no MP

Maia e senador Sérgio Guerra protocolam nesta terça-feira no Ministério Público uma representação contra Dilma e sua Secretaria-Executiva, Erenice Guerra, acusando-as de crime de responsabilidade, ameaça e violação de sigilo. Os três crimes dizem respeito ao caso do dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua esposa, Ruth Cardoso, com contas de pagamento (tipo B).

De acordo com Maia, a montagem do dossiê a partir de um banco de dados da Casa Civil foi de responsabilidade da ministra Dilma, com o objetivo de intimidar a oposição para que não avançasse nas investigações da CPMI dos Cartões Corporativos.

"[A] Montagem do dossiê, fatos graves, que aconteceram no gabinete [de Dilma] e não aconteceriam sem a participação direta da ministra", disse. "Vamos ao MP para que ele exerça seu papel e represente a sociedade", completou.

Maia alega que o governo vem inviabilizando sistematicamente as investigações na CPMI, por isso foi necessário recorrer ao Ministério Público para garantir que os gastos com cartões sejam destrinchados.

"É claro que na CPI o governo não vai permitir. Então, no Ministério Público, na hora que o promotor for buscar informações, vai apurar a responsabilidade", disse.

Sobre a representação, o presidente tucano, Guerra, alegou que Dilma não está fazendo o papel de ministra, nem de democrata. Segundo ele, há uma intenção explícita de escamotear dados relativos aos gastos com cartões.

"Um ministro mandaria investigar [quem vazou as informações para o dossiê]", criticou. "Existe uma mudança de atitude. Antes [na CPI dos correios] havia argumentação, agora é obstrução pura e simples", completou, comentando o atropelamento na votação de requerimentos na CPMI dos cartões.

Maia e Guerra assinaram a representação logo após entrevista coletiva e enviam o documento para o MP até o final da tarde desta terça. 

Táticas

Além do Ministério Público, DEM e PSDB prometem, ainda nesta semana, representar contra a ministra Dilma também na Comissão de Ética Pública da Presidência da República.

Outra frente de atuação da oposição se dará dentro da Casa Civil. Oposicionistas reivindicam uma vaga na equipe que realiza a sindicância interna para averiguar quem vazou os dados do dossiê para a imprensa.

"Vocês sabem quem faz parte dessa comissão de sindicância?", perguntou o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN). "As mesmas pessoas que atuaram no caso Waldomiro Diniz [ homem de confiança do ex-ministro José Dirceu, acusado de negociar com bicheiros o favorecimento de concorrências em troca de propinas]. Uma sindicância que não deu em nada", disse.

Não o bastante, a oposição ainda ameaça a base governista a criar uma CPI dos Cartões Corporativos paralela, só no Senado ¿ onde há equilíbrio entre governo e oposição ¿ para tocar as investigações.

Antes disso, porém, DEM e PSDB dizem que vão esgotar a votação de requerimentos na CPMI, tentar aprovar quebras de sigilo através da Mesa do Senado e das Comissões permanentes.

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