A decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo, que suspendeu a cassação do mandato do prefeito da capital, Gilberto Kassab, até o julgamento final do processo por suposto recebimento de doação ilegal, não acalmou o DEM. Alegando que o fato não deve ser lido isoladamente, a cúpula do DEM pretende dar o troco, abrindo guerra contra o governo no Congresso.

"Não se vota mais nada por acordo, porque não dá para negociar com quem nos jurou de morte", afirma o líder na Câmara, Paulo Bornhausen (DEM-SC).

A reação do DEM pode dificultar votações de propostas de interesse do governo. "Por que vamos aprovar os projetos do pré-sal?", indaga Bornhausen, que já está articulando a obstrução com o PSDB.

"Se querem radicalização, vamos entregar o produto, e que aprovem o que quiserem com os votos deles; não com os nossos", propõe Bornhausen. "A Câmara pode ser usada como instrumento eleitoral contra o nosso partido, e isto nós não vamos permitir", concorda o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ).

O líder acusa o PT de mobilizar "células autônomas para destruir a oposição" e de fazer uma "pajelança" com o mesmo objetivo, durante o Congresso do partido no fim de semana. "Nos tiraram da categoria de adversários, para inimigos. Isto é prática stalinista de quem não quer adversário na eleição", diz Bornhausen.

Rodrigo Maia lembra que o discurso dos petistas no Congresso partidário no último fim de semana remeteu a uma frase do ex-presidente do partido Jorge Bornhausen em 2006 - "a gente vai se ver livre dessa raça por pelo menos uns 30 anos". Diz que o PT tentou atualizar a frase antes qualificada como preconceituosa, na base do "tentaram acabar com nossa raça, agora vamos acabar com a raça deles". Depois disso, conclui Maia, "ficou claro que o ambiente é de confronto e requer toda atenção porque tomaram o caminho de nos ter como inimigos".

A cúpula do partido está convencida de que a oportunidade de o partido crescer é agora. "Oposição cresce em período eleitoral e o PT é a prova disso. Vão ter que nos aturar", encerra Bornhausen.

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