A oposição deverá retomar a estratégia de obstrução nas votações hoje no plenário da Câmara. O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) avisou que o partido vai usar as estratégias regimentais para impedir as votações, caso o governo não retire o regime de urgência do projeto que cria o Fundo Soberano.

O projeto passou a trancar a pauta do plenário a partir de hoje e tem preferência de votação após as medidas provisórias. Também colaboram para o clima escuta ilegal no telefone do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e suas repercussões, o período de campanha eleitoral e a falta de acordo sobre o projeto que cria o Fundo Soberano.

"O projeto está ruim. Não detalha nada sobre a transparência, a segurança dos investimentos, a quantidade dos recursos. É uma lei delegada. Vamos obstruir na partida", disse Aleluia. Isso significa que as quatro medidas provisórias da pauta que antecedem o Fundo Soberano serão usadas para evitar que as votações avancem até chegar no projeto. A bancada do DEM deverá se reunir no início da tarde.

O grampo telefônico que também atingiu o senador do DEM Demóstenes Torres (GO) e as notícias de que senadores do PSDB possam ter sido vítimas de interceptação telefônica alterou os ânimos da oposição. O líder do PSDB, José Aníbal (SP), está a caminho de Brasília e ainda vai conversar com sua bancada, mas, pela manhã, manifestou desapontamento com as medidas tomadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a apuração da escuta ilegal. Aníbal classificou como "piada" o fato de a Polícia Federal ter sido escalada para investigar o grampo porque, segundo afirmou, há suspeitas de que a PF também faz escutas ilegais.

Antes da sessão de votação, às 16h30, os líderes governistas vão se reunir para discutir o projeto do Fundo Soberano. O líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE), admite que será difícil avançar nas votações nesta semana com quatro medidas provisórias na pauta. Essa deverá ser a última semana de trabalhos na Câmara antes das eleições municipais no dia 5 de outubro. Nas próximas semanas, haverá um recesso branco, sem votações, com os parlamentares liberados de presença na Casa.

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