Delírio psicológico chega a Veneza

O delírio afeta as personagens do filme Persecution do francês Patrice Chereau, exibido neste sábado em Veneza com um clássico drama psicológico protagonizado por Charlotte Gainsbourg e Romain Duris.

AFP |

O primeiro filme francês dos três selecionados para a mostra oficial, junto com o de Claire Denis "White material" e o do mestre da Nouvelle Vague Jacques Rivette, "36 vues du Pic Saint-Loup", é um autêntico manual de psicoanálise.

Ao mesmo tempo que os cinéfilos emergem nos labirintos da mente humana, por meio dos mecanismos psicológicos do perseguido e do perseguidor do filme de Chereau, Veneza se prepara para receber um verdadeiro desfile de estrelas internacionais.

Já chegaram ao Lido George Lucas, Isabelle Huppert, Christophe Lambert, Werner Herzog, que apresentou de surpresa um segundo filme em competiçãoo, "My Son, my Son What have ye done", baseado em um crime acontecido em San Diego, Estados Unidos.

Ambientado em Paris, o filme de Chereau, autor de "Gabrielle" (2004) e "Intimidade" (2001), descreve a inexplicável inquietação íntima que reina nas pessoas quando brotam as obsessões.

A experiência pessoal de Chereau, que foi perseguido por anos por um fã, inspira um filme angustiante, no qual o ator Romain Duris (Daniel), um jovem forte que consegue seguir adiante todas as circunstâncias e que trabalha na reforma de apartamentos, não consegue viver com serenidade sua relação de amor com Sonia (Charlotte Gainsbourg).

Os demônios do protagonista são representados no vizinho, o perseguidor e a imagem concreta de suas ansiedades, que se transforma paradoxalmente no elemento mais estável de sua vida.

Como a maioria dos filmes exibidos até agora, o longa dividiu os críticos, que também elogiaram e censuraram o outro filme exibido neste sábado, "Lourdes", da austríaca Jessica Hausner, sobre o comovente e imenso mercado de que é objeto o célebre santuário católico francês.

"A primeira vez que visitei Lourdes fiquei traumatizada com a peregrinação de pessoas enfermas. Me desconcertou a esperança que tinham, me surpreendeu a ambiguidade deste lugar pelo negócio que há por trás de tudo isto", contou a diretora, que se define laica.

O filme, rodado no santuário com permissão da Igreja, aborda um tema polêmico: a relação entre os milagres e o lucro, a fé e o amor, a doença e a esperança.

O filme foi aplaudido pelo público e elogiado por alguns críticos, que consideraram que a obra aborda o limite entre o sagrado e o profano.

kv/fp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG