Delegado que investiga Operação Satiagraha se afasta do cargo

SÃO PAULO - O delegado Protógenes Queiroz, que comandou as investigações da Operação Satiagraha, vai se afastar temporariamente de sua função. Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Federal, Queiroz teria pedido seu afastamento entre os dias 21 de julho e 22 de agosto nesta segunda-feira em reunião com a diretoria da Polícia Federal em Brasília. Ele teria alegado que precisa concluir um curso de atualização, mas já teria afirmado que não quer voltar ao caso. A assessoria também confirmou que o diretor da PF, Luiz Fernando Corrêa, entrou em férias por uma semana.

Carolina Garcia, do Último Segundo |


AE
Queiroz pediu afastamento da Polícia Federal
De acordo com a PF, os outros dois delegados - Carlos Eduardo Pellegrini Magro e Karina Murakami Souza - continuam no caso, ao contrário do que tem sido divulgado. Segundo o Jornal Nacional, eles devem deixar o cargo na segunda-feira.

Queiroz teria feito o pedido diretamente ao diretor de Combate ao Crime Organizado da PF, delegado Roberto Troncon.

Segundo a assessoria da instituição, o curso seria de atualização profissional obrigatório para todos agentes federais que completam 10 anos de serviço. O curso exigiria dedicação exclusiva e o delegado alega que não teria tempo para se dedicar ao caso.

Críticas e elogios

Principal responsável pela Operação Satiagraha - que investiga crimes de corrupção, desvio de verbas públicas, lavagem de dinheiro e evasão de divisas -, Protógenes vem recebendo críticas de parlamentares e de membros do STF, que acreditam que os procedimentos usados pelo delegado, como o uso de algemas, seriam muito duros.

De outro lado, Queiroz vem recebendo elogios de juízes e de boa parte da opinião pública pelas investigações que vem fazendo colocando na cadeia figuras como o banqueiro Daniel Dantas, o megainvestidor Naji Nahas, e o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta.

O delegado já esteve à frente de outros casos polêmicos e de grande repercussão nacional como a prisão do comerciante chinês Law King Chong, considerado pela polícia um dos maiores contrabandistas do País. Queiroz foi ainda responsável pela prisão preventiva de Paulo Maluf, ex-prefeito de São Paulo, e do filho dele, Flávio Maluf, acusados de enviar dólares para o exterior ilegalmente.

Férias

A assessoria da Polícia Federal confirmou ainda que o diretor da instituição, Luiz Fernando Correa, entrou em férias nesta segunda-feira. No entanto, a assessoria ressalta que as férias, de uma semana, já estavam programadas e não têm relação com o pedido de afastamento do delegado Queiroz.

As férias de Corrêa não devem prejudicar as investigações do caso, segundo a assessoria da PF, que afirmou ainda que o diretor deve acompanhar os desdobramentos da operação durante o período.

Queixas

Nos bastidores, o delegado Protógenes Queiroz tem se queixado de que vem sofrendo boicote sistemático na instituição desde que o atual diretor-geral, Luiz Fernando Corrêa, tomou posse no cargo, em setembro passado, no lugar do delegado Paulo Lacerda, que foi deslocado para a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Acusado de não ter dado satisfações da operação aos superiores, de agir com excesso de individualismo e de recorrer irregularmente ao auxílio da Abin, entre outros "desvios", Protógenes Queiroz é alvo de uma sindicância administrativa e uma representação na Corregedoria da PF, que podem render de advertência à remoção do delegado para um lugar remoto ou mesmo um processo de demissão.

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