Delegado quase é levado à força para depor em CPI

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas e a Comissão de Direitos Humanos da Câmara enfrentaram hoje momentos de tensão por causa do depoimento do delegado Alexandre Neto, da Polícia Civil do Rio. Depois de duas tentativas frustradas de convocar Alexandre Neto para que ele falasse sobre o suposto envolvimento com grampos clandestinos, os integrantes da CPI descobriram que ele participava de uma audiência pública na Comissão de Direitos Humanos, a apenas 10 metros de distância da sala da CPI, falando sobre o atentado que sofreu no Rio.

Agência Estado |

Assim, em rápida deliberação, a CPI decidiu aprovar um requerimento para que a segurança da Câmara conduzisse o delegado à força para que prestasse depoimento, se não quisesse fazê-lo por vontade própria. Todas as CPIs têm poderes para tomar tal decisão e até decretar o pedido de prisão, quando achar necessário.

A decisão incendiou o ambiente na Comissão de Direitos Humanos. O delegado alegou que não poderia depor na CPI porque está sob licença médica por "estresse pós trauma" por causa do impacto psicológico provocado pelo atentado, quando foram disparados nove tiros contra sua casa - um deles atingiu o dedo do delegado. Ele alegou que só tinha aceitado falar na Comissão de Direitos Humanos porque poderia expor as ameaças que sofria.

Integrantes da CPI, como a deputada e inspetora da polícia do Rio Marina Maggessi (PPS-RJ), com quem o delegado tem diferenças pessoais, rebateram esses argumentos, alegando que ele fugia da CPI. Os dois bateram boca no plenário da Comissão de Direitos Humanos. "Aqui, você não manda nada, respeite-me que estou na minha Casa", reclamou a deputada.

"A senhora não fique me xingando", rebateu o delegado. Antes disso, Alexandre Neto tinha provocado uma cena inusitada dentro da comissão, ao exibir um vídeo sobre a detenção dele pela polícia, que considerou descabida, na frente de uma boate, em Copacabana. Enquanto um telão exibia as imagens da prisão, o delegado assumiu o gosto por freqüentar boates e fez um inusitado apelo. "Eu estava lá na Prado Júnior, num daqueles inferninhos, quando houve a prisão. Eu adoro inferninhos. Sou solteiro. Acho até que as deputadas daqui deviam fazer alguma coisa para regularizar a atividade das meninas", pediu.

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O presidente da comissão, deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), concordou com o delegado de que a condução à força pela CPI seria um gesto ruim para a imagem da Casa. "A Comissão de Direitos Humanos não vai apagar nunca essa mancha", afirmou. "Já estou vendo as manchetes: foi nos Direitos Humanos e saiu em cana", reforçou o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ). "Aqui dentro, ninguém vai botar a mão nele. Se precisar, a comissão ficará em sessão permanente e nós daremos asilo ao delegado", avisou Mattos.

Foi a senha para que deputados mais moderados iniciassem uma interlocução com o presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), para desfazer o impasse. Depois de mais de três horas e meia, surgiu a solução negociada entre as duas comissões, sem precisar prender ninguém. Acompanhado pelos integrantes da Comissão de Direitos Humanos, Alexandre Neto foi até a CPI dizer que não poderia depor por causa dos problemas médicos, mas se comprometia a voltar no dia 20 de maio e prestar os esclarecimentos pedidos.

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