O delegado Archimedes Cassão Veras Júnior, da Delegacia Seccional de Osasco, ouvirá nesta terça-feira, no Paraná, o estudante Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, de 24 anos, suspeito de matar o cartunista Glauco Villas Boas, de 53 anos, e o filho dele, Raoni, de 25 anos.

Veras Júnior deixou a delegacia de Osasco, na Grande São Paulo, na noite de segunda-feira e viajou para Foz do Iguaçu, no Paraná. Ele chegou à sede da PF por volta das 11h30 desta terça-feira. No entanto, a polícia ainda aguarda a chegada do  advogado de Carlos Eduardo , Gustavo Badaró, que está prevista esta tarde, para começar o depoimento.

Na segunda-feira, em vídeo, Carlos Eduardo admitiu ter matado Glauco e Raoni. Em uma das gravações, ele descreveu o momento do crime . "Tô com uma arma na mão, no meio do mato, apontando para um cara famoso. Os caras vão me condenar à morte aqui no Brasil. (...) Aí, eu peguei e falei: você f*** com a minha (vida). Demorou. Vou f*** com a sua também" Aí, atirei nele. O filho dele veio para cima. Atirei no filho dele também", afirmou.

Preso em Foz de Iguaçu

Carlos Eduardo está preso em uma cela isolada da delegacia da Polícia Federal desde o fim da noite de domingo. Ele foi foi detido por volta das 23h na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, quando tentava deixar o País. Ao ser abordado por policiais rodoviários federais, o estudante iniciou um tiroteio. Um agente ficou ferido no braço, mas passa bem.

O jovem ficou três dias escondido em um matagal no pico do Jaraguá, na zona norte de São Paulo, enquanto planejava sua fuga. Para sair do País, roubou um carro.

Segundo informações da polícia, Carlos Eduardo não recebeu visitas até o momento, comeu e dormiu normalmente.

O estudante, segundo o delegado, deve responder por cinco crimes: duplo homicídio (pela morte de Glauco e Raoni), roubo de veículo, tentativa de homicídio (contra agente da PF no momento da prisão), resistência e porte ilegal de drogas. O delegado afirma que o objetivo no momento é descobrir qual foi a motivação dos assassinatos. Foi um crime premeditado. Ele saiu armado e disse que faria algo contra Glauco, afirmou.

Motorista deve ser indiciado

Na segunda-feira, a polícia ouviu quatro pessoas sobre o caso. Prestaram depoimento as viúvas de Glauco e Raoni, a enteada do cartunista e um amigo da família que testemunhou o caso. Segundo João Pedro Correia da Costa, amigo da família, Carlos Eduardo deixou o local com Felipe Iasi, confirmando a versão dada pela viúva de Glauco.

Iasi, em depoimento à polícia, disse que foi sequestrado por Carlos Eduardo e fugiu antes que o crime fosse cometido. A polícia, porém, afirmou que os depoimentos de segunda-feira complicaram a situação de Iasi e ele será indiciado.

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