O delegado da Polícia Federal Sérgio Menezes, que conduz inquérito sobre o dossiê dos cartões corporativos da gestão Fernando Henrique Cardoso, foi hoje pela segunda vez ao Palácio do Planalto para buscar informações sobre a entrada e saída de pessoas na Casa Civil. Menezes foi ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI) da República pedir mais dados sobre a segurança orgânica do Palácio na semana passada.

Informações que o ajudarão a investigar a suspeita de que uma pessoa entrou na Casa Civil, pegou o dossiê e o divulgou em seguida. Essa possibilidade foi aventada pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Para se reunir com funcionários do GSI, Menezes faltou à cerimônia de troca de comando da Superintendência Regional da PF em Brasília, em que ele próprio foi exonerado do cargo de diretor-executivo.
Na semana passada, o delegado apreendeu 5 laptops e 2 computadores de mesa que são usados por 6 funcionários da pasta dirigida por Dilma. A investigação, de acordo com agentes da PF, não ficará restrita aos seis servidores designados para a montagem do dossiê. A apuração deve alcançar a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra.
A determinação da direção da PF é de que o inquérito seja concluído o mais rápido possível. A expectativa é de que seja cumprido à risca o prazo fixado inicialmente, de 30 dias.
O delegado espera a conclusão da perícia nos computadores, que deve ficar pronta até sexta-feira, para começar a ouvir os funcionários da Casa Civil.
Hoje, o ministro da Justiça, Tarso Genro, negou-se a tratar do assunto. "Sobre dossiê, só digo: deixa o homem (o delegado) trabalhar". O diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, na terça-feira, garantiu que a investigação vai até o fim.
"A Polícia Federal não depende de garantia de ninguém", declarou Corrêa. "Ela (PF) quando instaura um inquérito, delimita o que vai apurar e vai até o fim na investigação. Isso não depende de garantia de ninguém, nem do chefe da PF, nem de ninguém", disse. Corrêa afirmou ainda que a PF não se submeterá à ingerência política do governo. "Pode ter certeza que não."
O diretor-geral não disse, porém, se a PF está investigando apenas o vazamento ou também a construção do dossiê e quem o fez.
Segundo ele, o delegado Menezes tem independência para tocar o procedimento. "Em nome da autonomia dele (Menezes), o que ele pensa e o que ele vai concluir, ele só tem uma certeza: a instituição vai garantir que ele execute o seu trabalho."

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.