Delegado acredita que há indícios de envolvimento de militares com traficantes

RIO DE JANEIRO ¿ O titular da 4ª DP (Praça da República), delegado Ricardo Dominguez Pereira, acredita que há indícios de envolvimento entre os 11 militares acusados de seqüestrar e entregar três jovens do Morro da Previdência, na Zona Portuária do Rio, com traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi, zona norte. Ele pedirá a quebra do sigilo telefônico dos integrantes do Exército para saber se houve contato prévio com os criminosos.

Redação |

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  • O delegado acredita que há fortes indícios de que houve um contato entre os militares ¿ sete soldados, três sargentos e um oficial ¿ e a facção criminosa do Morro da Mineira, rival a do Morro da Previdência, pois o carro da corporação conseguiu sair e entrar na favela, às 9h do último sábado, sem ser confrontado pelos traficantes.

    Com a lista completa das ligações e da movimentação dos radiocomunicadores de cada militar, a polícia espera esclarecer quem poderia manter contatos ou costumava freqüentar as comunidades do Estácio, Catumbi e Rio Comprido, comandadas pela facção Amigo dos Amigos (ADA), rival ao Comando Vermelho, que domina a comunidade onde os jovens moravam.

    Há informações de que pelo menos dois integrantes do grupo do Exército moram em áreas consideradas de risco.

    Tomada de depoimentos

    Oito militares ¿ seis soldados e dois sagentos - serão ouvidos pelo delegado, na tarde desta terça-feira, no 1ª Batalhão de Polícia do Exército, localizado na Tijuca, zona norte. Eles iriam à unidade policial, mas prestarão depoimento no Exército por medida de segurança. Rodriguez espera esclarecer a participação de cada um dos 11 indiciados, que estão presos administrativamente.

    Na última segunda-feira, três dos militares, identificados como tenente Vinícius, soldado Rodrigues e sargento Maia, confessaram que levaram os jovens ao Morro da Mineira para dar um susto neles.

    Nesta quarta, a polícia ouvirá testemunhas que ajudarão a esclarecer o caso. O delegado informou que ouvirá um rapaz que também seria levado para o Morro da Mineira, mas que teria conseguido fugir dos militares com o apoio de uma vizinha.

    O caso

    Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no último sábado e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Eles teriam se negado a serem revistados.

    O comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos, mas, conforme depoimento, o tenente acusado resolveu levá-los aos criminosos para dar um corretivo nos rapazes.

    Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

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