Déficit comercial é de US$166 mi; governo estuda ações

Por Fernando Exman BRASÍLIA (Reuters) - O governo analisa, juntamente com o setor privado, medidas de incentivo às exportações, afirmou nesta segunda-feira o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, ao detalhar o déficit da balança comercial registrado em janeiro.

Reuters |

"Estão ocorrendo várias análises, mas não há uma solução única porque o comércio exterior é uma operação complexa. Temos dezenas de tarefas a serem feitas", disse a jornalistas. "Não existe milagre. Quais são as prioridades? Queremos que o setor privado nos diga."

Entre os gargalos debatidos, Barral citou financiamento, tributação, câmbio, logística e burocracia. "O custo da burocracia é infernal", lamentou.

Em Davos no final da semana passada, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou que o governo divulgaria em breve novas medidas para incentivar as exportações brasileiras e citou o papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no financiamento dessa atividade.

O déficit comercial de janeiro foi de 166 milhões de dólares, abaixo do saldo negativo de 529 milhões de dólares visto em igual período do ano passado e das projeções do mercado.

Analistas consultados pela Reuters previam déficit de 1 bilhão de dólares, segundo mediana de 10 respostas que variaram de saldo negativo de 800 milhões a 1,44 bilhão de dólares.

Barral afirmou que o resultado negativo se deu por motivos sazonais, já que a produção também tende a diminuir no início do ano, e que isso normalmente melhora a partir de março.

As exportações no mês passado totalizaram 11,305 bilhões de dólares e as importações somaram 11,471 bilhões de dólares, acrescentou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

"Houve uma certa recuperação. O ano começou mais promissor que o ano passado e próximo de 2008", afirmou Barral, ressaltando que o comportamento da balança comercial está voltando à normalidade por conta da redução dos efeitos da crise financeira global nos países que compram os produtos brasileiros.

CÂMBIO

Barral avaliou ainda que a alta recente do dólar frente ao real foi importante, principalmente para assegurar a continuidade dos produtos brasileiros em alguns mercados.

Em janeiro, o dólar avançou 8,15 por cento sobre o real, na primeira alta mensal desde agosto.

A alta do preço do petróleo também influenciou o resultado de janeiro em relação ao mesmo mês do ano passado. Excluindo os embarques da commodity e seus derivados, a alta das exportações, que foi de 21,4 por cento, teria sido de 10,3 por cento.

"É consonante com o que esperamos crescer em exportações este ano", comentou Barral.

Segundo o secretário, a mudança do preço da energia elétrica exportada foi o principal fator que fez as exportações de produtos manufaturados caírem 23,1 por cento em relação a dezembro, para 259,9 milhões de dólares. Sem contar energia elétrica, a queda teria sido de 15,2 por cento.

Já as importações registraram a maior média diária para meses de janeiro, de 573,6 milhões de reais. O destaque foi a importação de automóveis, principalmente da Argentina e da Coreia do Sul.

"O país está crescendo e é um país prioritário. Há um foco de vários países de vender para o mercado brasileiro e há um aumento do consumo no país", afirmou o secretário.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG