Defesa usará laudo médico para tentar soltar Eliana; médico recomenda prisão domiciliar

SÃO PAULO - A defesa de Eliana Tranchesi, uma das sócias da Daslu, informou, nesta quinta-feira, que entregará um laudo médico com informações sobre o estado de saúde de Eliana para que ela seja libertada. De acordo com o laudo, Tranchesi enfrenta um tratamento radioterápico e quimioterápico para tratar um câncer, e o médico que assina o relatório, o oncologista dr. Sérgio Daniel Simon, do Hospital Albert Einstein, recomenda que sua paciente fique em prisão domiciliar para passar por cuidados médicos apropriados.

Redação |

A advogada Joyce Roysen divulgou nota em que considera a sentença de 94,5 anos aplicada à empresária totalmente descabida e sua prisão ilegal e arbitrária.

Para a advogada, não há qualquer base legal para a prisão da empresária. Ela tem o direito constitucional de recorrer em liberdade. A advogada disse que o estado de saúde de Eliana é delicado, o que torna toda a situação ainda mais dramática e com requintes de crueldade.

Veja abaixo íntegra do relatório médico divulgado pela assessoria da empresária:

"A Sra. Eliana Maria Piva de Albuquerque Tranchesi encontra-se sob meus cuidados médicos desde Março de 2009. A paciente é portadora de Adenocarcinoma de Pulmão com metástases em coluna lombo-sacra e por esse motivo encontra-se em tratamento radioterápico e quimioterápico.

A paciente recebeu dose de quimioterapia em 21 de março de 2009 com as drogas Alimta, Carboplatina e Avastin.

Na fase em que se encontra atualmente, a paciente necessita de cuidados médicos diários, para a aplicação subcutânea de medicação e controle de exames de sangue.

Devido ao uso de quimioterapia, a paciente tem alto risco de infecção generalizada, motivo pelo qual está recebendo medicação diária.

Além disso, o uso de Avastin aumenta o risco de crises de hipertensão arterial e sangramento, e também necessitam de atenção médica continuada.

Por esses motivos, creio que a mesma não deva permanecer em prisão comum, sendo mais seguro a prisão domiciliar com os cuidados médicos apropriados.

São Paulo, 26 de março de 2009.
Dr. Sérgio Daniel Simon
Prof. Oncologia UNIFESP
Depto. Oncologia Hospital Albert Einstein
(Ditado via telefônica, não assinado por ausência de São Paulo)

Dr. Andrey Soares
CRM nr. 112.829
Assistente Prof. Dr. Sérgio Daniel Simon

Prisão

A empresária foi presa pela Polícia Federal nesta quinta-feira, após ser condenada em primeira instância pela 2ª Vara de Justiça de São Paulo. Eliana, seu irmão, Antonio Carlos Piva de Albuquerque, e o ex-diretor financeiro da Daslu, Celso de Lima, foram condenados por formação de quadrilha, descaminho (fraude em importações) e falsificação de documentos.

Mais quatro pessoas tiveram prisão decretada, uma delas está viajando e as outras três não foram localizadas. Como a ação não atinge a empresa, somente pessoas físicas, a Daslu não deve ser fechada.

Felix Lima
Eliana Tranchesi

Eliana Tranchesi é sócia da Daslu e já foi presa em 2005

Em um bilhete entregue a sua advogada após a prisão, Eliana se defendeu das acusações e disse não oferecer "perigo para a sociedade" .

Prisão "excêntrica"

Já a advogada da empresária , Joyce Roysen, disse, através de uma nota que a prisão de sua cliente é injusta, desprovida de racionalidade (..) e excêntrica. Joyce também comunicou que entrará com um habeas corpus e tem como certa a libertação imediata de Eliana, uma das sócias da Daslu.

Na nota, a advogada comenta que ainda não teve acesso ao teor da sentença e lamentou que as pressões exercidas pela acusação desde o início do processo tenham obtido êxito em induzir um julgamento errôneo.

Histórico

As investigações sobre o suposto esquema de contrabando e de fraude fiscal envolvendo a Daslu começaram em outubro de 2004 com a apreensão de uma nota fiscal da Gucci que estava em um contêiner no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos.

A nota mostrava a venda direta da grife italiana para a Daslu enquanto outra nota, a que foi apresentada à Receita Federal, dizia que a mercadoria havia sido exportada de Miami (Estados Unidos) para uma importadora no Brasil.

Escutas telefônicas demonstraram que os acusados no caso estavam planejando a queima de documentos sobre a fraude. Isso motivou, em julho de 2005, a Operação Narciso. Na época, policiais federais revistaram a Daslu, apreenderam documentos e prenderam a proprietária da loja, Eliana Maria, e seu irmão, além de dois outros acusados.

(*com informações da Agência Estado)

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