O advogado Paulo Olímpio Gomes de Souza, representante da governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), e do marido dela, Carlos Crusius, refutou as novas suspeitas sobre a compra do imóvel do casal, feita em dezembro de 2006, depois da campanha política e antes da posse. A imprensa está sendo induzida ao erro, afirmou hoje Souza, após analisar as matérias publicadas no final de semana indicando que o negócio teria sido fechado por R$ 1 milhão e não pelos R$ 750 mil declarados pelo casal.

O assunto voltou à tona com a entrega ao Ministério Público de Contas, pelo PSOL, de uma cópia de um instrumento particular de promessa de compra e venda de imóvel na qual o empresário José Luís Borsatto e sua mulher, Maria Fernanda Prado Borsatto, se comprometem a pagar R$ 1 milhão pelo imóvel. À revista Veja , Borsatto disse que o negócio não foi feito porque, quando conseguiu reunir o dinheiro, foi informado pelo corretor que a casa havia sido vendida à governadora pelo mesmo valor.

Segundo o advogado do casal Crusius, o documento de promessa de compra e venda não tem qualquer valor porque está assinado apenas por Borsatto. A proposta, afirma Souza, nem foi levada pelo corretor ao ex-proprietário do imóvel, Eduardo Laranja da Fonseca, porque oferecia R$ 150 mil em dinheiro, promissórias no valor de R$ 250 mil e mais um imóvel de R$ 600 mil, quando a exigência era de pagamento da maior parte em espécie. Além disso, reforça o advogado, é datada de agosto de 2006. Segundo ele, em outubro daquele ano o mesmo imóvel foi oferecido em anúncios por R$ 850 mil.

Para fazer a aquisição, em dezembro de 2006, atendendo a exigência de pagamento da maior parte em dinheiro, o casal Crusius vendeu dois apartamentos, um em Brasília, por R$ 380 mil, e um em Capão da Canoa, por R$ 180 mil, e um automóvel, por R$ 32 mil, transferindo R$ 550 mil para Fonseca e comprometendo-se a usar os outros R$ 200 mil para pagar uma dívida do ex-proprietário, segundo a explicação do advogado.

A compra da casa de Yeda foi objeto de polêmica durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Em depoimento aos deputados, o delegado da Polícia Civil Luiz Fernando Tubino disse ter conhecimento de que o empresário tucano Lair Ferst teria pago R$ 400 mil do negócio emitindo um cheque honrado com sobras da campanha. Mas admitiu não ter provas. O casal Borsatto não quis falar sobre o assunto. A imobiliária que teria intermediado o negócio não retornou as ligações. O ex-proprietário Fonseca não foi localizado.

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