Defesa recorrerá a Brasília para reverter prisão de acusado de matar Dorothy Stang

O advogado Eduardo Imbiriba de Castro, que defende o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, conhecido como Bida ¿ condenado a 30 anos de prisão pela morte da missionária Dorothy Stang - afirmou que irá a Brasília ainda nesta semana para tentar tirar o seu cliente da cadeira. Castro recorrerá ao Supremo Tribunal Federal (STF) na tentativa de reverter a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que derrubou o habeas corpus que mantinha o fazendeiro em liberdade.

iG São Paulo |

Bida está preso desde o último sábado, após se entregar à Polícia Civil do Pará. Para o advogado, a prisão de Bida é injusta, pois, segundo ele, o fazendeiro tem residência fixa e não estaria interferido no andamento do processo. Ele está exercendo normalmente a sua função em Altamira [no Pará], tem a profissão de pecuarista, não ameaçou qualquer tipo de testemunha ou pessoa envolvida, não demonstra nenhum motivo que possa nos levar a crer que ele venha a fugir, argumentou o advogado.


Bida, com o colete da Polícia Civil, ao se entregar às autoridades no sábado 

Julgamento

Nesta segunda-feira, o Tribunal de Justiça do Pará analisou o pedido do juiz da comarca de Pacajá para que julgamento do fazendeiro fosse transferido para Belém. A transferência já havia sido autorizada por Brasília e só foi confirmada na sessão. 

Ainda sem data definida, a expectativa da Justiça é que Bida seja julgado em 2009 na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Belém.

Após a conclusão da instrução processual que apurou a morte da missionária, ele foi apontado como um dos mandantes do crime. Bida foi condenado, primeiramente, a 30 anos de prisão em regime fechado pelo Tribunal de Júri do Pará. No entanto, a legislação prevê um novo julgamento para condenados a pena superior a 20 anos e, neste segundo julgamento, ele foi absolvido.

No entanto, o segundo processo foi considerado irregular pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que determinou que ele voltasse à prisão.

Morte de Dorothy Stang

Dorothy Stang foi assassinada com seis tiros em 12 de fevereiro de 2005, no município de Anapu, no sudeste do Pará. Ela era uma reconhecida ativista que atuou no Brasil por duas décadas junto a pequenos agricultores pelo direito à terra e contra a exploração dos grandes fazendeiros da região.

O assassinato dela foi atribuído a Rayfran das Neves Sales, um matador que, segundo a polícia, confessou ter sido contratado pelo fazendeiro para cometer o crime. Sales foi condenado a 27 anos de prisão.

Tido como cúmplice do crime, Clodoaldo Carlos Batista foi condenado a 17 anos de prisão. Já o fazendeiro Amair Feijoli da Cunha, que foi considerado intermediário entre o mandante e o pistoleiro, recebeu uma pena de 18 anos de prisão.

*Com informações da Agência Brasil

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