BRASÍLIA - O advogado Eduardo Timbira, que defende o acusado de ordenar a morte da missionária Dorothy Stang, Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, disse neste sábado que pretende recorrer da decisão da Justiça. Na última quinta-feira, a Justiça negou habeas-corpus ao fazendeiro. Timbira vai ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedir a liberdade de Bida, que na manhã de hoje se entregou à polícia do Pará.

Estamos aguardando a publicação do acórdão [da decisão do Superior Tribunal de Justiça] para preparar um pedido no habeas-corpus no STF.  Vou a Brasília ainda esta semana, disse Timbira à Agência Brasil.

O advogado argumenta que não há motivos que justifiquem a prisão preventiva de Bida. Foi um ato arbitrário. Ele está exercendo sua atividade de pecuarista, vivendo normalmente, cuidando da família. Não representa nenhum risco à ordem pública nem ao andamento do processo.

Timbira afirmou que ele próprio aconselhou o fazendeiro a se apresentar à Polícia Civil após a negativa de habeas-corpus. Foi uma orientação minha. Eu disse a ele: não adianta fugir, reagir, tem que se apresentar.

Vitalmiro Bastos de Moura, conhecido como "Bida", se apresentou perante as autoridades em uma delegacia da cidade de Altamira, no Pará, e foi levado a uma prisão local, na qual permanecerá até que ocorra um novo julgamento sobre sua responsabilidade no crime.


Bida, com o colete da Polícia Civil, se entrega às autoridades / AE

Em primeira instância, Moura foi responsabilizado pelo mando do assassinato da missionária americana, ocorrido em 2005, e condenado a 30 anos de prisão.

O fazendeiro foi detido, mas seus advogados apelaram e em segunda instância o acusado foi absolvido, quando ganhou liberdade.

No entanto, o segundo processo foi considerado irregular pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Na quinta-feira passada a corte determinou que o fazendeiro deverá permanecer em prisão até um novo julgamento.

Morte de Dorothy Stang

O assassinato de Dorothy Stang, uma reconhecida ativista que atuou no Brasil por duas décadas junto a movimentos de trabalhadores sem-terra, foi atribuído a Rayfran das Neves Sales, um matador que confessou ter sido contratado pelo fazendeiro para cometer o crime.

Sales admitiu que assassinou a missionária, que tinha 73 anos, com seis tiros pelas costas, e foi condenado a 27 anos de prisão.

Além disso, Clodoaldo Carlos Batista, cúmplice do assassino, foi condenado a 17 anos de prisão. Já o fazendeiro Amair Feijoli da Cunha, que foi considerado intermediário entre o mandante e o pistoleiro, recebeu uma pena de 18 anos de prisão.

(Com informações da EFE)

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