Defesa de pai e madrasta recorrerá após decisão do Tribunal de Justiça

SÃO PAULO - A defesa de Alexandre Nardoni, 29 anos, e de Anna Carolina Jatobá, 24 anos, pai e madrasta de Isabella, vão esperar o julgamento do mérito do pedido de habeas-corpus pela 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ), que deve ocorrer na próxima terça-feira. Eles pretendem recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, somente após a decisão. A informação foi passada pelo advogado Marco Polo Levorin.

Redação com Agência Estado |

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Mãe e filha em foto de arquivo
Na terça-feira, quando o desembargador Caio Canguçu de Almeida, um dos três integrantes da Câmara, negou liminar que tiraria o casal da prisão, os advogados disseram que iriam recorrer antes do julgamento do mérito.

Segundo a defesa, no pedido ao STJ serão usados os mesmos argumentos do habeas-corpus impetrado no Tribunal de Justiça. O pedido, em que a defesa alega não haver motivos para a prisão, contesta o despacho do juiz Maurício Fossen que aceitou a denúncia do Ministério Público e decretou a prisão preventiva do casal. O julgamento do mérito é a decisão final do TJ sobre o habeas-corpus.

Os dois estão presos preventivamente desde o dia 7 de maio, acusasos pela morte de Isabella Nardoni, de 5 anos.

Alexandre está abatido, diz advogado

O advogado Ricardo Martins afirmou, na quarta-feira, que Alexandre Nardoni está "abatido física e psicologicamente, mas tem se mantido forte". O pai de Isabella recebeu a visita de Martins e do advogado Rogério Neres de Sousa, no Centro de Detenção Provisória (CDP) II de Guarulhos, na Grande São Paulo, onde está preso.

Martins disse que o Alexandre está sozinho numa sala, que tem apenas um colchonete. O advogado afirmou ainda não haver sinais hostilidade dos outros presos.

Sousa e Martins chegaram ao CDP II à tarde e permaneceram no local por cerca de 40 minutos. Eles disseram que o contato com o consultor jurídico foi rápido. Os dois deram a ele a notícia da negativa do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) ao habeas-corpus pedido na sexta-feira. Alexandre Nardoni reagiu "sem surpresa" ao comunicado, segundo Martins, pois havia sido avisado da decisão por carcereiros do 13º Distrito Policial (DP), na zona norte da capital paulista, onde ficou detido até a tarde de terça-feira.

Alexandre fica 10 dias em cela isolada

Alexandre Nardoni ficará 10 dias em regime de observação e só após

AE
Alexandre e Anna quando foram presos no dia 7
este período será integrado aos outros detentos do Centro de Detenção Provisória (CDP), em Guarulhos. As infomações são da Secretaria de Administração Penitenciária. Neste tempo, Alexandre só poderá receber visitas dos advogados

O consultor jurídico saiu algemado, por volta das 16h de terça-feira, do 13º Distrito Policial, na Casa Verde, onde estava preso desde a última quarta-feira, 7.

Segundo o delegado Aldo Galeano, do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), a transferência  aconteceu em razão das ameaças que ele vinha sofrendo no local.

Galeano explicou que o CPD 2 de Guarulhos foi escolhido por ser um dos mais seguros do Estado. "Lá a segurança é maior, caso Alexandre não se adapte ao presídio será transferido novamente. E isso acontecerá quantas vezes for necessário", afirmou o delegado durante entrevista coletiva à imprensa na tarde de terça-feira.

Ele disse ainda que a defesa tem mantido uma postura ética e correta. "Infelizmente, não posso dizer o mesmo dos familiares do casal", afirmou referindo-se ao pai de Alexandre, Antônio Nardoni.

Para o delegano, Nardoni deveria "se limitar a defender o filho e parar de dar entrevistas querendo virar estrela". O avô de Isabella, teria dito à imprensa que a polícia falhou em não cumprir o acordo feito com a família.

"Não faço acordo com preso. Questionaram o fato do casal ter sido levado em um carro sem películas (insulfilm) nos vidros. Eles foram deste modo porque eu quis. Eles (os parentes do casal) não determinam qual carro eu devo usar. O Alexandre vai aonde e como eu quero", enfatizou Galeano.

O caso

Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Jatobá.

No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese da criança ter caído da janela do 6° andar por acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

O pai alegou à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas e em entrevista ao programa "Fantástico", da TV Globo, disseram esperar que "a justiça seja feita".

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