Defesa de padrasto contesta laudo médico e diz que S. pediu 8 vezes para ficar

O advogado que representa a família materna do menino S., Sérgio Tostes, contestou nesta quinta-feira o laudo psicológico feito a pedido da Justiça Federal do Rio sobre o garoto. Mais cedo, em entrevista ao Último Segundo, Marcos Ortiz, que representa o pai biológico S., David Goldman, disse que de acordo com a peça dos psicólogos, S. seria indiferente quanto a ficar no Brasil ou ir para os Estados Unidos.

Severino Motta, repórter em Brasília |

A Justiça nomeou três peritos sem experiência no assunto, a Advocacia Geral da União (AGU) nomeou um e nós nomeamos um. As entrevistas foram todas gravadas. Na gravação ele diz oito vezes que quer ficar no Brasil com a família, disse.

Questionado do porque os psicólogos teriam dito que era indiferente, como alegou Ortiz, para o menino o fato de ficar no Brasil ou ir para os Estados Unidos com o pai, Tostes voltou a desqualificar o relatório e disse: Alegaram que ele só disse que queria ficar por causa da uma síndrome da alienação parental feita pela família brasileira pois estaria sendo induzido.

O laudo de nossa psicóloga contradiz isso. A única coisa que pode ser considerada como indiferente é quando S. fala eu quero ficar, mas quem manda é o juiz, explicou.

Tostes ainda disse que o fato do juiz Federal Rafael Pinto não ter ouvido pessoalmente o menino e ter se baseado somente nos laudos de seus psicólogos vai contra a convenção de Haia, na qual está baseado parte do processo.

A convenção diz que no caso da criança poder se expressar ela tem de ser ouvida. O juiz pode até não acatar, mas tem que ouvir e de acordo com a convenção levar em consideração a vontade da criança, comentou.

Devido a isso e à Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), protocolada pelo Partido Progressista (PP) e que levou ao ministro Marco Aurélio Mello impedir que S. fosse levado para os Estados Unidos, Toste acredita que a setença da Justiça Federal do Rio deve ser anulada.

Se a decisão do ministro for referendada, o Juiz vai ter que se explicar porque não ouviu o menino e acreditamos que a sentença vai ser anulada, disse.

Tostes ainda falou que impetrou quatro recursos contra a decisão da Justiça Federal do Rio. Uma deles já foi deferido, outro ficou prejudicado devido a esta decisão e outros dois estão suspensos aguardando o referendo da ADPF no Supremo. Por fim o advogado contradisse os argumento de Ortiz, que representa o pai biológico, sobre a capacidade de uma ADPF ser usada no caso. Ao contrário do que ele diz, uma ADPF é exatamente o instrumento a ser usado, uma vez que a decisão contrariou um preceito da Constituição pelo fato do menino não ter sido ouvido.

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