Defesa de Nahas diz que só recorre contra a prisão após depoimentos dos acusados

SÃO PAULO - O advogado do investidor Naji Nahas, Sérgio Rosenthal, afirmou nesta quarta-feira, ao sair da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, que só vai entrar com recurso pedindo a soltura de seu cliente depois que todas as pessoas presas na Operação Satiagraha forem ouvidos no inquérito. A operação apura os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de dividas e formação de quadrilha.

Agência Brasil |

Rosenthal informou que conversou com Nahas. Segundo ele, seu cliente está bem e ciente de seus direitos. Lamentamos, mais uma vez, porque entendemos ser desnecessária a prisão temporária [de Najas]. Bastaria que fosse convocado e ele estaria aqui à disposição da autoridade [policial].

Ele espera que Nahas seja ouvido o mais breve possível e, logo em seguida, posto em liberdade. Há uma série de suposições feitas contra ele, mas nós não tivemos acesso aos autos, reclamou o advogado.

Nahas foi preso na terça ( 8), em São Paulo. Ele é acusado de liderar uma das duas organizações acusadas de envolvimento nesses crimes. O outra, segundo a PF, é comandada pelo banqueiro Daniel Dantas, do Banco Opportunity, detido nessa terça-feira no Rio de Janeiro e transferido para São Paulo. O ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta também está entre as pessoas presas pela Polícia Federal.

Surpreso com os acontecimentos

A advogada do ex-prefeito Celso Pitta, Ruth Stefanelli Wagner Vallejo afirmou, nesta quarta, que seu cliente está bem de saúde, mas surpreso com o que está acontecendo, porque não tem ligação com nenhuma das denúncias.

Ruth garantiu que Pitta prestará todos os esclarecimentos que forem necessários quando for depor. Ela disse que, nem sabe o que Pitta vai dizer no depoimento. Segundo a advogada, o depoimento deve ocorrer nos próximos cinco dias, dentro do período da prisão temporária.

Pitta não tem dinheiro no exterior e sua amizade com Nahas é pública, afirmou Ruth. Ela também criticou o fato de a prisão ter sido feita em véspera de feriado (comemora-se hoje em São Paulo o Dia da Revolução Constitucionalista de 1932), o que dificulta o trabalho dos advogados.

Sobre a cela em que o ex-prefeito se encontra, a advogada afirmou: Dentro do possível, as condições são dignas para os próximos cinco dias. 

A operação

Divulgação
Dinheiro que serviria como suborno
Segundo a PF, cerca de 300 policiais participaram da operação que tem como objetivo desmontar um suposto esquema de desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro. De acordo com a polícia, as investigações iniciaram há quatro anos, como desdobramento do caso "Mensalão".

A partir de documentos enviados pelo Supremo Tribunal Federal para a Procuradoria da República no Estado de São Paulo, foi aberto um processo na 2ª Vara Criminal Federal. Na apuração, teriam sido identificadas pessoas e empresas beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos.

O grupo investigado, que seria comandado por Daniel Dantas, é suspeito dos crimes de formação de quadrilha, gestão fraudulenta, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Dantas também irá responder por suspeita de espionagem e de tentativa de corrupção de um delegado cujos primeiros nomes são Vitor Hugo.

Ainda de acordo com a investigação, foi descoberta a existência de um segundo grupo que atuava no mercado financeiro para "lavar" o dinheiro desses desvios. A PF apurou que este grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas. Há indícios que as duas organizações atuavam de forma interligada.

O Ministério Público Federal e a PF pediram também a prisão do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, ex-deputado federal, mas o juiz federal Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, entendeu que não existiam fundamentos suficientes para decretá-la.

Na avaliação do procurador da República Rodrigo de Grandis, responsável pelo caso e autor dos pedidos de prisão, "a investigação da Polícia Federal já se deparou com indícios suficientes dos crimes financeiros de gestão fraudulenta, operação ilegal de instituição financeira, evasão de divisas e concessão de empréstimos vedados, além de uso indevido de informação privilegiada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e formação de quadrilha". 

A polícia esclareceu ainda que esta operação não tem relação com a Operação Chacal (caso Kroll), na qual Dantas já responde a ação penal. "As investigações em curso partiram de informações enviadas pelo Supremo Tribunal Federal atendendo requerimento do Procurador Geral da República, Antonio Fernando Souza, no processo do mensalão", diz.

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