Defesa de Edmar Moreira deixou muitas lacunas, diz relator

BRASÍLIA - O relator do processo de cassação do deputado Edmar Moreira (sem partido-MG), Nazareno Fontelles (PT-PI), disse nesta segunda-feira que o fato do mineiro não ter levado testemunhas ao Conselho de Ética e ter respondido somente por escrito à uma série de indagações, deixou ¿muitas lacunas¿ em sua defesa. Apesar delas, ponderou Nazareno, seu voto ¿vai ter consistência e ser bem fundamentado¿.

Severino Motta, repórter em Brasília |

Tudo é complexo. Se tudo tivesse acontecido [levar testemunhas e responder às perguntas] o trabalho [de fazer o relatório] teria ficado, por assim dizer, mais fácil. Então vão ter muitas lacunas e elas vão constar no relatório, vão estar registradas. Mas com o material da comissão de sindicância e outros que tive acesso durante o processo acredito que o relatório vai estar bom e com consistência, explicou.

Sem adiantar seu voto, se vai ser ou não pedindo a cassação de Moreira, Fontelles disse que a peça vai ter cerca de 50 páginas e sua fundamentação vai ser protocolada nesta terça no Conselho de Ética. O voto, contudo, só deve ser proferido na quarta. A partir daí o Conselho é Soberano, disse.

Desrespeito

Quem também falou sobre a falta de testemunhas e de respostas no processo de Edmar foi o presidente do Conselho, José Carlos Araújo (PR-BA). De acordo com ele, o sentimento dos membros foi que Edmar teria desrespeitado a instância. Todo mundo achou que [a falta de testemunhas e respostas nas oitivas] foi desrespeito, disse.

Caso o relator peça a cassação ou suspensão do mandato de Edmar, o Conselho de Ética precisa aprovar o pedido. Caso isso aconteça, Edmar ainda vai ver seu caso sendo julgado pelo plenário da Câmara, onde tem a simpatia de diversos parlamentares, visto que no inicio do ano conseguiu se eleger 2° Vice-Presidente da Casa mesmo numa candidatura contra a de seu antigo partido, o DEM. Edmar ainda seria beneficiado, em plenário, pelo voto secreto dos deputados.

Caso

Edmar Moreira ficou conhecido como o dono do castelo devido a uma propriedade avaliada em R$ 25 milhões que foi repassada para o nome de seus filhos pouco antes dele se tornar deputado Federal pela primeira vez.

Após a descoberta do castelo, foi revelado que ele usou recursos de sua verba indenizatória para pagar serviços de segurança de sua própria empresa. Seu processo de cassação gira em torno da realização dos serviços, uma vez que uma comissão de sindicância, que encaminhou o processo para o Conselho de Ética, diz que apesar de pagos, os serviços nunca foram prestados.


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