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Defesa de casal atira para todos os lados , diz promotor do caso Isabella

SÃO PAULO - O promotor Francisco Cembranelli, que acompanha as investigações sobre a morte da menina Isabella Nardoni, afirmou que os depoimentos desta quarta-feira não interferem no processo. Nada mudou para a acusação. Foram relatados apenas episódios antigos. Atira-se para todos os lados para acertar em alguma coisa.

Luciana Fracchetta, do Último Segundo |


O promotor disse ainda que os depoimentos foram voltados principalmente para a falta de segurança do edifício London e para os trabalhos do prestador de serviços, chamado Vando, conhecido da família Nardoni."Eles relatam a qualidade do serviço prestado e depois tentam incriminá-lo. Não dá para entender".

Cembranelli ironizou ainda a estratégia da defesa, que convocou cinco pessoas da mesma família para prestar depoimento nesta quarta. "Quem vem prestar depoimento acaba sendo desmoralizado".

Amiga de infância

Em sua estratégia de defesa, os advogados do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina levaram cinco pessoas da família de Nathália de Souza Domingos Severino, além de seu namorado, para prestarem depoimentos em favor do casal nesta quarta-feira no Fórum de Santana, zona norte de São Paulo. Nathália é amiga de infância de Cristiane Nardoni e estagiária de Direito no escritório de Antônio Nardoni.

Ela afirmou que sabia que Anna Carolina Jatobá havia perdido as chaves do apartamento do edifício London, de onde a menina Isabella Nardoni foi jogada no dia 29 de março. Ana Jatobá e Alexandre Nardoni, madrasta e pai de Isabella, estão presos acusados da morte da menina.

Nathália, que estava com a tia de Isabella na noite do crime, afirmou ainda que encontrou um prestador de serviços da família Nardoni, identificado como Vando, no dia da morte de Isabella e que ele teria dito que iria até o apartamento levar chaves ao prédio onde o casal mora.

Em relação às chaves, Nathália disse que em janeiro ela teria dado carona a Anna Jatobá para buscar o filho Pietro, de 3 anos, na escola. Na volta para casa, Anna Jatobá teria ligado para ela perguntando se havia esquecido as chaves no carro, pois acreditava que havia perdido. O fato teria acontecido no mês de fevereiro, segundo ela.

Ela afirmou ainda ao juiz que conhece Vando porque ele havia terminado um serviço na casa dela no dia da morte da garota, quando falou com ele pela última vez.

Ela disse que estava com Cristiane, quando ela recebeu a ligação na noite do crime. Ela, então, teria acompanhado a tia da Isabella até ao apartamento do casal. Ao final do depoimento, Nathália afirmou que é estudante de Direito e faz estágio no escritório de Antônio Nardoni.

Namorado e parentes

Após o depoimento, o namorado de Nathália, Rafael Leitão dos Santos, também foi ouvido pelo juiz Maurício Fossen. Ele disse que estava presente no momento em que Cristiane recebeu a ligação avisando do acidente envolvendo Isabella.

Na seqüência, o irmão de Nathália, Rafael Domnigos de Souza Severino prestou depoimento. Em poucos minutos, ele apenas disse ao juiz que também ouviu Cristiane falar que Isabella havia caído.

O avô de Nathália, Vasco Oliveira, e a mãe, Anete de Souza, também foram ouvidos nesta quarta-feira. Eles se limitaram a responder as perguntas do juiz e dos promotores, fazendo a defesa do casal ao afirmarem que nunca haviam visto brigas entre os dois.

A tia de Nathália, Esmeralda Domingos Severino, afirmou em seu depoimento que chegou no prédio do casal minutos depois da queda de Isabella. Ela disse que, quando chegou, perguntou ao porteiro o que havia acontecido e ele teria respondido que não sabia pois havia dado uma "saidinha".

Portão arrombado

Primeira testemunha a prestar depoimento nesta quarta, o jornalista Rogério Pagnan, da Folha de S.Paulo, disse que recebeu a informação de dois pedreiros de uma obra localizada nos fundos do edifício London de que o portão havia sido arrombado no fim de semana em que ocorreu o crime. Indagado se ele teria gravado a entrevista, Pagnan disse que sim. Porém, não foi solicitada até o momento pela Justiça a cópia da gravação.

O jornalista disse que ouviu para fazer as reportagens sobre o caso, além de pedreiros da obra anexa ao edifício, o pai de Alexandre, Antonio Nardoni, a irmã, Cristiane, e vizinhos do casal. Ele afirmou ainda que não entrou no prédio e que constatou que havia uma cerca elétrica no local, mas não soube dizer se estava funcionando ou não.

A corretora de imóveis Joana Selma Andrade da Silva, quinta testemunha a ser ouvida, afirmou que esteve no edifício London em 29 de março, dia em que Isabella foi jogada do sexto andar, e teria constatado a falta de segurança no prédio. Ela disse que ao chegar no prédio, o porteiro não pediu documento de identidade e nem cartão da empresa onde ela trabalha e entregaram chaves de apartamentos vazios para mostrar a pessoas interessadas nos imóveis.

Após a visita, a corretora disse ter entrado em contato com Antônio Nardoni, pai de Alexandre, e comentou sobre a falta de segurança no edifício. Segundo ela, no dia do velório de Isabella, Antonio já teria pedido para que ela testemunhasse o fato em favor do casal.

José Renato, também corretor de imóveis que estava com Joana no dia em que ela foi ao prédio, confirmou a falta de segurança no edifício e que, em nenhum momento, alguém pediu documentos de identificação deles.

O último depoimento desta quarta-feira foi de Thiago César Decanini Cassará, cunhado de um tio de Alexandre, que somente falou que havia dado uma cadeirinha de bebê para o casal colocar no automóvel.

No total foram ouvidas 14 pessoas na tarde desta quarta-feira. Nesta quinta-feira, outras 13 testemunhas de defesa devem prestar depoimento no Fórum de Santana.

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