Defesa de Alexandre Nardoni e Anna Jatobá deve recorrer ao STJ nesta quinta

SÃO PAULO - Os advogados de defesa de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá pretendem entrar nesta quinta-feira com um novo pedido de habeas-corpus para obter a liberdade do casal, desta vez no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. A decisão de recorrer ao STJ foi tomada antes mesmo de a 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) analisar o mérito do pedido.

Agência Estado |

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    AE
    Anna Jatobá e Alexandre quando foram presos

    O desembargador Caio Canguçu de Almeida, um dos três integrantes da Câmara, negou nesta terça liminar que tiraria o casal da prisão. Os magistrados se reúnem às terças-feiras e o julgamento do mérito pode ocorrer já na próxima reunião, dia 20.

    "Tomamos a decisão por uma questão de tempo", afirmou um dos três advogados do casal, Ricardo Martins, alegando que o julgamento no STJ será mais rápido. Serão usados os mesmos argumentos do habeas-corpus impetrado no TJ, um documento de 96 páginas, em que a defesa defendia não haver argumentos para a prisão preventiva de Alexandre e Anna Carolina.

    Os advogados sustentam que o casal tem residência fixa e que não prejudicaria as investigações do caso. A defesa ataca ainda os argumentos usados pelo juiz Maurício Fossen para pedir a prisão da dupla, de manutenção da ordem pública e da credibilidade da Justiça, dizendo que eles não autorizam a detenção.

    Alexandre passa a noite em cela isolada

    Alexandre Nardoni, acusado de ter matado a filha, passou a madrugada desta quarta-feira no Centro de Detenção Provisória (CDP), em Guarulhos, em uma cela de  isolada dos demais presos. Segundo informações da Secretaria de Administração Penitenciária, ele ficará 10 dias em regime de observação e só após este período será integrado aos outros detentos. Neste tempo, Alexandre só poderá receber visitas dos advogados

    Alexandre saiu algemado, por volta das 16h de terça-feira, do 13º Distrito Policial, na Casa Verde, onde estava preso desde a última quarta-feira, 7.

    Segundo o delegado Aldo Galeano, do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), a transferência  aconteceu em razão das ameaças que ele vinha sofrendo no local.

    Galeano explicou que o CPD 2 de Guarulhos foi escolhido por ser um dos mais seguros do Estado. "Lá a segurança é maior, caso Alexandre não se adapte ao presídio será transferido novamente. E isso acontecerá quantas vezes for necessário", afirmou o delegado durante entrevista coletiva à imprensa na tarde de terça-feira.

    Ele disse ainda que a defesa tem mantido uma postura ética e correta. "Infelizmente, não posso dizer o mesmo dos familiares do casal", afirmou referindo-se ao pai de Alexandre, Antônio Nardoni.

    Para o delegano, Nardoni deveria "se limitar a defender o filho e parar de dar entrevistas querendo virar estrela". O avô de Isabella, teria dito à imprensa que a polícia falhou em não cumprir o acordo feito com a família.

    "Não faço acordo com preso. Questionaram o fato do casal ter sido levado em um carro sem películas (insulfilm) nos vidros. Eles foram deste modo porque eu quis. Eles (os parentes do casal) não determinam qual carro eu devo usar. O Alexandre vai aonde e como eu quero", enfatizou Galeano.

    Laudos da Perícia

    De acordo com o Dr. José Antônio de Morais, perito e diretor do Núcleo de Pesquisas de Crimes contra Pessoa do Instituto Médico Legal (IML), o laudo de reconstituição da morte de Isabella deve ficar pronto em 15 dias.

    Além disso, o perito ressaltou que as manchas do carro de Alexandre possuem o perfil genético (amostras de sangue contendo outras substâncias orgânicas) de Isabella.

    "Através das amostras do carro, do corredor e do apartamento, conseguimos encontrar o perfil genético da menina", confirmou Morais.

    O caso

    Lecticia Maggi
    Reconstituição do crime no prédio em SP
    Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Jatobá.

    No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.

    O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

    O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas e em entrevista ao programa "Fantástico", da TV Globo, disseram esperar que "a justiça seja feita".

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