Defesa de Alexandre Nardoni e Anna Carolina analisa recurso ao STF

A batalha jurídica dos advogados de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá para tirar o casal da cadeia deve ir agora para o Supremo Tribunal Federal (STF), a mais alta instância do Poder Judiciário. Depois de ter os pedidos de habeas-corpus negados pelo Tribunal de Justiça de São Paulo e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), a defesa irá se reunir hoje para analisar os próximos passos.

Agência Estado |

O casal é acusado pelo assassinato de Isabella Nardoni, de 5 anos, atirada do 6º andar do Edifício London, na zona norte de São Paulo, em 29 de março.

Reprodução
Mãe e filha em foto de arquivo

O melhor seria esperar o mérito desses habeas-corpus serem analisados pelas duas instâncias, mas na realidade não sabemos quando isso vai acontecer, diz o advogado Rogério Neres de Sousa. Isso pode demorar muito. Precisamos pensar no cliente, não podemos deixar ele esperando dois meses por esse julgamento.

Com base em jurisprudência do STF que diz que comoção popular não pode justificar um pedido de prisão preventiva, a defesa do casal crê que é possível tirar o casal da prisão. Esse é nosso objetivo. É normal subir de instâncias, diz Neres de Sousa.

Ontem, Anna Carolina Jatobá recebeu a visita dos pais na penitenciária feminina de Tremembé, no Vale do Paraíba, onde está presa. Alexandre Nardoni está no presídio José Augusto César Salgado, o P2 de Tremembé, a 7 quilômetros de Anna Carolina, e durante todo o domingo não recebeu nenhuma visita de familiares.

Segundo o advogado Rogério Neres de Sousa, ele está muito mais tranqüilo depois de ter sido transferido de Guarulhos, na Grande São Paulo. Ele estava com muito medo, lá, diz o advogado. Agora, ele se sente seguro. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

Visita a Anna Carolina

Anna Carolina Jatobá recebeu neste domingo a visita dos pais. Alexandre Jatobá, de 45 Anos, e a mulher, chegaram ao presídio no começo da tarde.

Ela saiu do carro com o rosto encoberto. "Quero que vocês entendam que a imagem dela tem que ser preservada pois é ela que levará meus netos aos passeios, ela que está cuidando do bem-estar dos meus netos", disse o pai de Anna Carolina.

A visita aconteceu na capela do presídio e durou pouco mais de duas horas. Foi a primeira visita de um parente à Anna Carolina. "Foi um encontro caloroso, muito emocionante. As duas estão completamente abaladas. Quando ela nos viu e na hora da partida choramos muito, foi muita emoção", contou o pai de Anna Carolina. Eles conversaram sobre a decisão do STJ), de negar o pedido de habeas-corpus para ela e o marido, Alexandre Nardoni, pai de Isabella e também acusado pela morte da menina.

Segundo Jatobá, a madrasta de Isabella perguntou somente pelos filhos, não pediu notícias sobre o marido. "Não perguntou porque os advogados já a mantém informada." Nardoni está no presídio José Augusto César Salgado, o P2 de Tremembé, a 7 quilômetros de Anna Carolina, e não recebeu nenhuma visita hoje.

Além de cobertores e comida, os pais levaram para Anna Carolina três livros - dois de Alan Kardec e um de Direito Constitucional - para que ela passe o tempo lendo. "Ela tem lido muito e está bem, graças a Deus", afirmou o pai de Anna Carolina. "Ela sempre foi apegada a Deus e agora disse que sua fé está muito mais forte.Tenho fé em Deus que logo ela estará solta". Ele elogiou o atendimento no presídio. "É uma direção de excelência e isso me confortou bastante". Anna Carolina deve sair do regime de observação no dia 22 de maio. "Porém, como é feriado, o período terminará na segunda-feira seguinte", segundo ele.

Jatobá ressaltou que a filha quer sair logo do período de observação para poder conviver com as outras detentas. "Ela não tem medo do contato com as outras. Está querendo sair e ir para o convívio com as demais. Disse 'sou inocente e quero sair de cabeça erguida'". No local há 180 presas de alta periculosidade. Entre elas está Suzane von Richthofen, condenada por matar os pais há três anos.

Tranferência de Alexandre

Alexandre Nardoni foi transferido para a penitenciária de Tremembé, a 10 km de onde está Anna, por volta da 1h deste sábado, segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) de São Paulo. Ele estava preso desde a terça-feira no Centro de Detenção Provisória 2 (CDP) em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo.

De acordo com o advogado Ricardo Martins, o CDP não tinha condições de receber Alexandre, que está detido em uma sala da enfermaria, com apenas um colchonete. "Ele tem direito assegurado pela lei de ficar em uma cela especial, por ter curso superior completo", afirma Martins. "O CDP não tem comodidades condignas com a formação acadêmica de Alexandre", completou o advogado. O réu é bacharel em Direito.

O caso

AE
Alexandre e Anna quando foram presos dia 7
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Jatobá.

No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese da criança ter caído da janela do 6° andar por acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

O pai alegou à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas e em entrevista ao programa "Fantástico", da TV Globo, disseram esperar que "a justiça seja feita".

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