Defesa Civil retoma buscas a desaparecidos no Piauí

BRASÍLIA - A Defesa Civil do Piauí informou que foram retomadas neste domingo (31) as buscas a duas crianças ¿ uma de 6 anos e outra de 1 ano e 3 meses ¿ ainda desaparecidas no município de Cocal da Estação, no norte do Estado, arrastadas pelas águas da Barragem Algodões 1, que rompeu no dia 27.

Redação com Agência Brasil |

Até agora sete pessoas foram encontradas mortas após o desastre. Os trabalhos de busca aos desaparecidos e de assistência aos sobreviventes da tragédia, que têm sua base em Cocal da Estação, recomeçaram com três dos quatro helicópteros que até este sábado (30) transportavam as equipes de assistência, mantimentos e remédios. Dois aparelhos apresentaram defeito, mas um helicóptero de grande porte da Força Aérea chegou para reforçar o atendimento às vítimas.

Após o rompimento da barragem de Algodões1, liberando 50 milhões de metros cúbicos de água, e o imediato alagamento das cidades de Cocal da Estação, Cocal dos Alves e Buriti dos Lopes, a maior preocupação das autoridades, agora, além da assistência às famílias atingidas pelas águas, é com a contaminação do Rio Pirangi.

Mais de 2 mil animais mortos apodrecem nas margens do rio e podem contaminar a água provocando doenças na população ribeirinha.

Rompimento

De acordo com o governo do Estado, na tarde da última quarta-feira, dez milhões de metros cúbicos de água escaparam instantaneamente por um rombo de quatro metros na parede da barragem, originando uma onda devastadora com dez metros de altura. Outros 40 milhões de metros cúbicos escorreram devagar pela abertura, que aumentou para 50 metros.

O diretor-geral do Instituto de Desenvolvimento do Piauí (Idepi), Norbelino Lira de Carvalho, disse que o rompimento de Algodões 1 aconteceu após uma chuva de 106mm durante 4 horas na região da represa. Acontece uma chuva dessa intensidade sobre uma barragem já fragilizada e em recuperação, em época atípica, quando não costuma mais chover nessa região. Além disso, choveu muito no Ceará, onde está a nascente do Pirangi. Posso dizer que foi um acidente da natureza, afirmou.

A empresa Água e Esgotos do Piauí S/A (Agespisa) enviou água potável para a região e, para garantir que o abastecimento na cidade continue, instalou dois geradores por causa do corte no fornecimento de eletricidade.

AE
Imagem da Barragem Algodões 1, antes do rompimento

O sinal de telefonia celular foi restabelecido no local por uma operadora. Em caráter emergencial, dez escolas e ginásios de esportes já estão funcionando como abrigos provisórios. Foi um verdadeiro tsunami, reconheceu o governador do Estado, Wellington Dias, depois de sobrevoar a área. 

Cerca de 2,5 mil famílias tinham sido retiradas do local por precaução, e retornaram na última semana por determinação do engenheiro responsável pela obra, Luís Hernane de Carvalho.

O procurador da República Kelston Lages informou que o Ministério Público Federal está colhendo informações sobre o caso. O Ministério Público do Estado também avalia se a responsabilidade pelo rompimento da barragem é do engenheiro ou do Estado.

iG
Região de Buritis dos Lopes e Cocal

A presidente da Empresa de Gestão de Recursos do Piauí (Emgerpi), Lucile Moura, informou que o governador determinou a criação de um comitê técnico para avaliar o ocorrido.

Segundo ela, também foi determinado pelo governador que a Secretaria de Segurança instaure um inquérito para apurar as responsabilidades pelo rompimento da estrutura.

Mais de 100 militares, entre bombeiros e policiais de Teresina e de Parnaíba, foram enviados para o local, assim como cinco helicópteros para ajudar no resgate das pessoas que estão em áreas isoladas.

A Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), do Ministério da Integração Nacional, já disponibilizou cestas e alimentos, material de limpeza e colchões, cobertores, travesseiros e filtros.

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