Defesa Civil prevê normalização de rios em SC na quarta-feira

Segundo a Defesa Civil, mais de 977 mil pessoas atingidas pelas chuvas em 95 municípios

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A Secretaria da Defesa Civil de Santa Catarina estima que as águas dos rios Itajaí-Açu e Itajaí-Mirim, que provocaram as enchentes nos municípios do Vale do Itajaí, voltem à calha quarta-feira (14), à tarde. "Aí começamos a fazer o levantamento para a reconstrução", disse nesta segunda-feira o secretário adjunto, major Márcio Luiz Alves. Nesta segunda o sol predominava no Estado e as águas baixavam em média 10 centímetros a cada duas horas.

Segundo o major, ainda é cedo para saber o volume de recursos que será necessário para a reconstrução dos municípios. "O nosso registro ainda é de desastre, com prestação de assistência e socorro". Hoje, o governo federal anunciou a liberação de R$ 13 milhões para o atendimento dos municípios atingidos pelas chuvas - R$ 3 milhões serão geridos pelo Estado e o restante vai para 19 municípios mais atingidos.

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Vista aérea da cidade Rio do Sul, uma das primeiras a decretar estado de calamidade pública
Os recursos são do Ministério da Integração Nacional, por meio do Cartão de Pagamento da Defesa Civil, lançado no fim de agosto e destinado a situações de emergência ou calamidade pública.

Na semana passada, o ministério já tinha autorizado o empenho de R$ 30 milhões para ajudar na reconstrução dos locais prejudicados pelas chuvas. Inicialmente devem ser liberados R$ 7,5 milhões. O restante dependerá do plano de trabalho a ser apresentado pelo governo de Santa Catarina.

Também na semana passada, o governo estadual liberou R$ 12 milhões para compras emergenciais visando atender à população das cidades atingidas pelas enchentes.

Boletim divulgado pela Defesa Civil registrava mais de 977 mil pessoas atingidas pelas chuvas em 95 municípios. Desses, nove haviam decretado estado de calamidade: Agronômica, Aurora, Brusque, Ituporanga, Laurentino, Lontras, Presidente Getúlio, Rio do Sul e Taió.

Cerca de 162 mil pessoas precisaram sair de suas residências e estavam em casas de amigos ou parentes, enquanto outras 15,3 mil foram levadas para abrigos públicos. Três pessoas morreram: Valdemiro Carminatti, de 66 anos, caiu do telhado de sua casa em Guabiruba; Antônio José Mendonça, de 50 anos, afogou-se em Itajaí; e Ronaldo Novaes dos Santos, de 19 anos, foi eletrocutado ao encostar um remo na fiação elétrica em Laurentino.

Recuperação

Em 2008, quando Santa Catarina enfrentou uma das piores tragédias climáticas de sua história, foram investidos pelo governo federal pelo menos R$ 815 milhões em atendimento emergencial, no setor de saúde e em obras de infraestrutura, particularmente em rodovias federais e no Porto de Itajaí.

O governo do Estado também investiu parte de seu orçamento na recuperação. O secretário adjunto da Defesa Civil de Santa Catarina acredita que, agora, o volume de recursos seja menor, principalmente porque o número de deslizamentos foi reduzido. Enquanto em 2008 houve mais de 4 mil pontos, agora foram 175.

Segundo o major Alves, os dois eventos têm semelhança por apresentarem chuvas concentradas, com precipitação três vezes superior ao que se verifica historicamente em agosto e ápice em quatro dias de setembro. "Essa grande quantidade pegou o rio cheio e não havia trégua para escoar", disse.

Agora, além de menos deslizamentos de terra, o número de mortos foi bem menor: apenas três contra 135. Do evento anterior, ainda há duas pessoas que são consideradas desaparecidas. O secretário adjunto reforçou que o trabalho preventivo também foi eficiente, permitindo que as pessoas deixassem as áreas de risco antecipadamente.

A Secretaria da Fazenda de Santa Catarina anunciou que as empresas que foram diretamente atingidas pelas chuvas em municípios que decretaram situação de emergência ou estado de calamidade pública terão prorrogação em um mês no prazo de recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que poderá ser feito até o dia 10 de outubro. O empresário precisa comprovar os prejuízos por meio de laudo do Corpo de Bombeiros ou de órgão da Defesa Civil.

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