Declarações de Lula sobre crise no Senado dividem o Congresso

BRASÍLIA - A afirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre não intervir na crise que assola o Senado dividiu opiniões dentro e fora da Casa Legislativa.

Camila Campanerut e Carollina Andrade, de Brasília |

O vice-líder petista, Eduardo Suplicy, defende que o presidente está respeitando a instituição (Senado) e os senadores do partido (PT), que têm expresso a recomendação para que Sarney se licencie por um período e compareça ao Conselho de Ética para explicar os fatos e poder responder e exercer o direito de defesa dele.

Já a oposição não poupou vocabulário para atacar o presidente da República. Segundo o líder do DEM, José Agripino (RN), a fala do presidente é a cara do Lula, que tem um senso de autopreservação muito grande". O senador cita que o presidente teve a mesma postura na época das denúncias contra o ex-tesoureiro do PT, Silvio Pereira, e o ex-ministro da Fazenda Antonio Pallocci. Ele recua na hora que algum problema respinga na imagem dele, afirma. 

De acordo com o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), "Lula já tinha largado ao mar o Renan Calheiros (senador do PMDB-AL), quando ele teve que ficar pedindo voto no plenário para não ser cassado, com uma humildade que já perdeu".

Virgílio ressalta que para Lula só há duas coisas que interessam: a sucessão do Sarney na presidência do Senado não seja inóspita ao governo, que não atrapalhe o poder de governança dele e a garantia de que o PMDB não irá deixar a base se sustentação.

Mas isso não é consenso entre os peemedebistas. Para Renan Calheiros (AL), Lula tem razão no que disse e foi coerente ao afirmar que o problema da crise é do Senado e não do Poder Executivo.  É a oposição que tem interpretado a fala de forma distorcida, não o PMDB, aponta.  Segundo a assessoria do peemedebista, Lula não foi contra Sarney - ele defende a volta da normalidade nos trabalhos no Senado, assim como a legenda.

Nos bastidores do Planalto, o que se fala é que o governo mantém apoio ao presidente José Sarney, porém sairia da linha de frente" da defesa do senador maranhense, já que uma ruptura entre PT e PMDB traria implicações negativas para a governabilidade do País. Em especial, neste segundo semestre, o projeto do pré-sal vai para Congresso e se espera que o impasse no Senado não atrapalhe as discussões e a votação.

Na visão do cientista político e professor da UnB, David Fleischer, a mudança no discurso do presidente Lula se deu após conversas com o presidente Sarney.  Ele acredita que o presidente teria recebido indicações que seria hora de abandonar o barco, porque o peemedebista irá jogar a toalha. 

O cientista político acredita que esta possível "retirada do presidente da linha de frente" não irá causar uma saia justa entre PT e PMDB. "O próprio partido já está dividido. Quem continua mantendo apoio são só os suplentes", aponta.

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