A declaração do diretor afastado do departamento de contra-inteligência da Agência Brasileira de Informações (Abin), Paulo Maurício Fortunato Pinto, durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Grampos, na Câmara dos Deputados, de que a Abin apoiou a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, mas não sabia nem quem era o alvo principal da ação irritou os deputados. É melhor fechar a agência.

Se meteram em algo que não sabiam o que estavam fazendo, ou passa um atestado de idiota ou não sei se devem funcionar", protestou o presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ).

Durante o depoimento de Paulo Maurício, que prossegue no início da noite de hoje, Itagiba insistiu na situação: "A Abin faz apoio pontual, mas não sabia o que estava fazendo? Ficaram quatro meses operando às cegas?". O deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) foi ríspido: "A Abin se transformou em uma balbúrdia. É agência brasileira de burrice."

Ele argumentou que o apoio pontual da agência à PF é normal. "O que aconteceu é que acreditávamos ser um apoio curto que se estendeu", afirmou. Paulo Maurício disse que a Abin não montou uma operação clássica e que não tinha a "idéia do todo" nem "o alvo principal da operação". Ele disse que a operação era "compartimentada".

O diretor afastado contou que quatro servidores da Abin foram destacados para dar apoio as operações, trabalhando no edifício sede da PF em Brasília e fazendo pesquisas em bancos de dados abertos. Segundo ele, outro grupo trabalhava em ações pontuais nas ruas confirmando endereços residenciais e comerciais. Nesse segundo grupo, durante todo o tempo do apoio, em períodos distintos e em ritmo de escalas, trabalharam 52 servidores da Abin.

Ele contestou a informação do ministro da Defesa, Nelson Jobim, de que os equipamentos da Abin podem fazer grampo telefônico. "Tenho o maior respeito pelo ministro Nelson Jobim, mas acredito que ele tenha sido mal assessorado tecnicamente", disse o diretor.

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