Decisão sobre tropas no morro será política

O governo está dividido se vai ou não recorrer da decisão da juíza da 18ª Vara Federal, Regina Coeli de Medeiros de Carvalho Peixoto, que ordenou a retirada imediata das tropas do Exército do morro da Providência, no Rio, e a substituição delas pela Força Nacional de Segurança. A decisão será política e passará pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Agência Estado |

No Palácio do Planalto, a reação inicial era de que o melhor caminho seria acatar a decisão preliminar da Justiça, sem questionamentos, porque significaria uma "saída honrosa" para o Exército, que deixaria o morro da Providência, onde está sendo hostilizado.
Já o Comando do Exército entende que precisa recorrer porque, a missão que está cumprindo no Morro da Providência, de realizar obra social, é a mesma de outros locais do País, como na BR-101 ou na Amazônia. Entende, portanto que, sendo obrigada a sair desta obra do Rio, deveria sair também das demais.
Além disso, o Exército alega que "tem interesse em permanecer no morro para limpar aquela área, tirando os bandidos". Lembra que o morro é encravado no Palácio Duque de Caxias, sede do Comando Militar do Leste, onde, por causa de disputas do tráfico, rotineiramente, sobram balas perdidas que quebram janelas do prédio da principal unidade militar do Rio.
A leitura da Força é que o Exército presente inibe os traficantes que acabam procurando outro lugar, abandonando a área para que seja habitada pela população não envolvida com a criminalidade.
Em outra frente, o Exército alega ainda que é "uma aberração" terem a segurança de uma obra que estão realizando sendo feito pela Força Nacional de Segurança, que é composta por policiais militares.
O Ministério da Defesa, a quem cabe recorrer, ainda não decidiu se o fará. Está esperando receber a notificação da Justiça para tomar conhecimento dos seus reais termos. A notificação não havia chegado nem à Defesa, nem ao Exército. O ministro Nelson Jobim embarcou no final do dia para São Paulo e estará nesta quinta-feira participando da Feira Internacional de Aviação, em São José dos Campos. Deverá discutir o assunto ainda nesta quinta com o presidente Lula e o advogado geral da União, José Toffoli, por telefone.
Hoje, a AGU informou que "se acionada pelo Ministério da Defesa, recorrerá da decisão". Se decidir recorrer, será por meio da Procuradoria Regional da União, na segunda região, no Rio de Janeiro.

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