O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, confirmou hoje que não serão os militares quem tomarão a decisão sobre os caças que serão adquiridos pelo governo brasileiro, e sim o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão será sempre política, afirmou.

Questionado em uma conferência de imprensa em Genebra, na Suíça, a respeito da compra brasileira, Amorim evitou dar detalhes sobre a posição do governo. Amanhã, ele estará em um evento em Paris com a presença do presidente da França, Nicolas Sarkozy.

Um relatório do Comando da Aeronáutica teria indicado a preferência dos militares pelo caça sueco Gripen. O modelo francês Rafale seria o último entre os avaliados pelas Forcas Armadas, superado inclusive pela oferta norte-americana, do F-18 Super Hornet, da Boeing. Na França, o ministro de Defesa, Hervé Morin, minimizou a importância das informações e chegou a dizer que o noticiário não necessariamente corresponderia à "verdade".

Segundo Amorim, a escolha sobre o caça vencedor da licitação será do presidente Lula, que pretende ignorar relatório do Comando da Aeronáutica. Lula já manifestou a preferência pela aeronave francesa e tem repetido que a decisão sobre a compra dos 36 caças é "política e estratégica" para consolidar a parceria entre o Brasil e a França.

O chanceler foi diplomático ao avaliar o documento do Comanda da Aeronáutica. "Claro que vamos estudar e levar em conta o que está no relatório. Mas não sou eu quem decide. A decisão é do Ministro da Defesa e do presidente. De qualquer forma, a decisão será tomada nessa instância. É o presidente, com a ajuda de seu Conselho de Defesa, quem tomara a decisão final. Não será uma decisão exclusivamente militar", completou Amorim, que esteve em Genebra para reuniões com o governo da Autoridade Palestina (AP).

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.